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O MEDO DE PERDER TIRA A VONTADE DE GANHAR




A frase acima não é de autoria deste jornalista e colunista. Ela pertence a Wanderley Luxemburgo, um dos treinadores mais importantes e também mais vitoriosos de toda a história do futebol brasileiro.

Em seus tempos áureos, quando era o top dentre todos os seus colegas de profissão, ele soltava frases como a que intitula este texto, com a qual explicava porque suas equipes, independentemente da qualidade que possuíam, jogavam sempre no ataque. Segundo o técnico, quando um time entrava em campo pensando apenas em se defender, invariavelmente acabava derrotado.

Lembrei-me de Luxa, com quem tive a oportunidade de trabalhar em meus tempos de Assessoria de Imprensa do Palmeiras, justamente após a derrota do Verdão para o Chelsea/ING na decisão do Mundial Interclubes. Apesar de toda a euforia após a conquista do bicampeonato sul-americano, era óbvia a superioridade adversária e, por isso, no fundo todos os palmeirenses sabiam qual seria o desfecho desta história. Afinal, o time inglês é o atual campeão do continente que abriga quase que 100% dos melhores esquadrões do mundo.

Porém, ainda assim, tive a impressão de que o Verdão poderia ter tido uma sorte melhor. Para tanto, precisaria ter apenas de duas coisas a mais do que o oponente: a primeira é um banco de suplentes com a mesma qualidade que a deles – o que, dadas as diferenças financeiras entre as duas realidades – é algo impossível; e a segunda é uma coragem uma pouco maior, pois sobretudo no tempo adicional a equipe brasileira ficou demasiadamente fechada, esperando apenas o tempo passar para tentar a sorte na cobrança de pênaltis – o que, não fosse a filosofia mais defensivista de seu comandante, Abel Ferreira, seria algo possível.

Somente após o segundo gol inglês, em mais um lance de azar de Luan, é que o Palmeiras partiu ao ataque – só que aí a vaca já havia ido para o fundo do brejo.

Ou, como bem sempre disse Luxemburgo, “o medo de perder já havia tirado a vontade de ganhar”.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br