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A PORTUGAL QUE TE PARIU


Eu sou um jornalista antiquado.

É verdade: a cada dia parecem-me pesar muito mais os quase 34 anos de carreira que construí do que os sei lá eu quantos (espero que ainda muitos) que irei percorrer. Por exemplo: não aceito situações como jogadores vestindo camisas de times rivais, mesmo que por brincadeira ou para pagar apostas. Para mim, isso é inadmissível porque milhões de pessoas amam a camisa que vestem seus atletas, e ao vê-los usando a de um outro clube sentem-se desrespeitadas, traídas até. Se fosse eu o presidente do clube atingido, demitiria sumariamente o profissional, independentemente da importância que ele tivesse para a equipe.

Ultimamente vem me incomodando muito a postura e as declarações de alguns técnicos portugueses que trabalharam ou ainda trabalham no Brasil. Tudo começou com Jorge Jesus, um poço de arrogância e prepotência quando dirigiu o Flamengo/RJ. Em seguida, foi a vez de Abel Ferreira, do Palmeiras, que por várias vezes disfarçou com reclamações acertadas e críticas justas ao nosso futebol toda a soberba e o sentimento de superioridade que sente em relação a nós, brasileiros, apenas pelo fato de ser europeu. Por último, mas certamente muito mais grave, aparece Vítor Pereira, e com o agravante de que, ao contrário de seus dois patrícios, até agora não ganhou absolutamente nada.

Não faz muito tempo e o técnico corintiano (se é que este adjetivo pode lhe ser atribuído) desrespeitou o clube que dirige, um dos mais importantes do mundo, ao explicar se o motivo da queda de rendimento de Róger Guedes era o fato de ele preferir atuar pela ponta e não no comando do ataque. Na oportunidade, ele respondeu de forma muito clara: "Eu também queria treinar o Liverpool, mas não posso. Se você perguntar para mim, eu ia correndo treinar o Liverpool. Com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool. Aqui não é o que queremos - é o que a equipe precisa”.

Em minha opinião, tal declaração já seria motivo mais do que suficiente para que o Corinthians o demitisse ainda na sala de Imprensa, mas como não se fazem mais dirigentes como antigamente a diretoria alvinegra, e muitos de meus colegas também, preferiram “passar o pano” e fizeram de conta de que nada havia acontecido. Pois bem: não demorou muito para que o tal de VP voltasse a mostrar sua verdadeira face. Logo após a derrota no derby do último sábado, ele se irritou com uma pergunta simples feita por um repórter, que o questionou se a eliminação na Libertadores e a perda do jogo para o maior rival o deixavam temeroso de perder o emprego. A resposta do portuga não poderia ser mais arrogante:

“Você deve estar a brincar comigo, cara. Deve estar a brincar comigo com essa pergunta. Eu, nesta fase da minha vida, da minha carreira, ter medo de perder emprego? Sabe quanto dinheiro eu tenho no banco, amigo? Eu tenho a vida estabilizada, não preciso... Estou aqui no Corinthians, se não for no Corinthians é em outro clube qualquer. E quando eu quiser”.

Perceberam? Mesmo tendo por objetivo principal humilhar o jornalista e, de quebra, acreditar-se superior apenas por ser um homem rico, ele mais uma vez diminuiu o clube que paga seus altos salários ao dizer que se não trabalhar no Corinthians o fará em “outro clube qualquer”. Depois, vendo a enxurrada de críticas que recebeu (se bem que de novo não faltaram também as “passadas de pano” de alguns colegas), tentou se explicar a um jornal de seu país dizendo que estava nervoso pela derrota e havia se expressado mal. E jurou que é humilde. Melhor do que esta só aquela do português.

As palavras do pobre homem rico são um tapa na cara do povo brasileiro que, em sua esmagadora maioria, enfrenta sérias dificuldades para colocar comida à mesa, e são também como uma cusparada no rosto de cada corintiano que, muitas vezes, deixa de comprar o pão de cada dia para lotar o Itaquerão e ver de perto o maior amor de sua vida. Mas, para o técnico do Timão, nada disso importa: o que vale é que o Liverpool é maior do que o Corinthians e que ele, como tem dinheiro no banco, pode se dar ao luxo de trabalhar no segundo clube mais popular de um País cuja boa parte da população passa por necessidades inimagináveis aos riquinhos da Europa. Para VP, ele faz um favor ao Corinthians.

Sorte sua, Vítor Pereira, que o presidente corintiano é o pacato e simplório Duílio Monteiro Alves. Se o cargo fosse ocupado pelo saudoso Vicente Matheus ou mesmo por este jornalista, a esta altura você já estaria dentro de um avião da TAP e de volta a Portugal que te pariu.

­­­­­­­­­Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br



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