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TERRORISMO EMOCIONAL


O goleiro Cássio do Corinthians ( Foto - @Corinthians/Rodrigo Coca ), jogador com mais títulos na história do clube, campeão Mundial e da Libertadores pelo Corinthians, dois títulos brasileiros e quatro estaduais, foi vítima de ameaças de morte via rede social e registrou boletim de ocorrência. O ato de terrorismo emocional foi acompanhado por uma foto de arma de fogo em cima de uma camisa do Corinthians. Outros jogadores foram citados na ameaça e foi afirmado na agressão que “estamos fechados com o português”, referência ao técnico Vitor Pereira.


No mesmo dia da divulgação do escândalo, o Corinthians abriu as portas para receber torcedores organizados para “conversar” com elenco, treinador e dirigentes. O clube em nota oficial garante que acionou Delegacia de Intolerância Esportiva, que tomará providencias para a segurança dos atletas envolvidos, lamenta e considera o fato um crime e defende punição. A principal torcida organizada do clube divulgou nota protestando contra jogadores e com a mesma posição do terrorista, apoio ao treinador Vitor Pereira. Uma coincidência.


Conheço o goleiro Cássio desde o tempo de repórter esportivo e convivi com o atleta no período que trabalhei como assessor de imprensa do clube. Cássio é um líder positivo no grupo. Já sofreu agressões verbais até em desembarque em aeroporto e sabe reagir a pressões. Como ídolo do clube é sempre alvo de protestos, muitas vezes injustos. Sua carreira e seus títulos, inclusive alguns milagres, provam que ser chamado de vagabundo e paneleiro, é uma ofensa descabida. Ser ameaçado da forma como foi, ameaça contra sua vida e com envolvimento de familiares, é um ato de terrorismo.


Entendo, com muita sinceridade, a tolerância do clube com torcedores organizados. Eles não só fazem parte da cultura do clube, como também exercem poder político no Corinthians. Muitas vezes esses torcedores organizados são massa de manobra para movimentação política. Às vezes são “estimulados” para exercer pressão por dirigentes que preferem transferir seus erros para o lado mais fraco da corrente, do que responder pelos atos que geram os fracassos esportivos.


Porém, essa relação é perigosa. Torcida Organizada é composta por pessoas de bem e por facções que exploram a relação passional com o clube. Para estes, o poder de enfrentamento é necessário para manter o controle e o comando da torcida. É a lei do mais forte que impera. A indignação com os resultados e as demonstrações de violência, perpetuam os ruins no poder e dão “armas” para ações nada civilizadas entre torcidas e clubes.


Foi, no mínimo, incoerente receber torcedores para “conversinha” após a ameaça de terrorismo emocional contra um dos ídolos do clube. A única justificativa seria a presença de um policial, para um pente fino no grupo visitante, para saber antecedentes e eventuais relações com a ameaça. Faria bem ao clube e a própria torcida organizada. O clube não deveria ter essa relação de cumplicidade, como um pai que acoberta um filho. Quem deveria ser protegido de ameaças é o goleiro Cássio, que até por respeito à sua condição de ser humano, deveria estar longe dessa conversinha de bastidor.