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O VAR vai dividir o futebol por tamanho

Teve mais um lance grotesco do VAR na última rodada do Campeonato Brasileiro. Aquele impedimento de um centímetro de ombro de Elias Manoel, do Grêmio, contra o Palmeiras é de um preciosismo tecnológico que atenta contra a verdade dos fatos. Seria o empate e talvez uma nova chance para o tricolor gaúcho dentro do jogo. O VAR disse que não e o Palmeiras venceu por 3 x 1. Poderia vencer mesmo com o gol confirmado já que é melhor que o Grêmio, mas é o caso de se perguntar: Isso é mesmo impedimento?



Para o VAR é ou pelo menos para o sujeito que está na cabine e que traça as linhas azul e vermelha. A máquina é "infalível", mas o ser humano é. É isso que estão fazendo com o futebol. Estão desumanizando um esporte praticando por seres humanos. Eu sei que é difícil falar assim para uma geração que teve o computador como berço, mas quem quer jogo tecnológico que vá jogar vídeo Game. O futebol aceita o erro do atacante, do zagueiro, do técnico, dos comentaristas e dos dirigentes. Só não aceita o erro do árbitro, que também é humano. Parece virar realidade aqueles filmes futuristas de ficção em que as máquinas dominam os homens. Menos, gente, muito menos.



Vai chegar o momento que o futebol terá que imitar o boxe. Vai ter categoria de peso e tamanho. O técnico vai escalar o atacante da seguinte forma: "Vou escalar hoje um cara de 1,90 porque o zagueiro tem 1,92 e então ele não ficará em impedimento" ou ainda: "Qual número você calça? Se for mais de 45 você está fora. O bico da sua chuteira vai deixa-lo em impedimento quando estiver na mesma linha. O zagueiro deles calça 43. Atenção: Tem alguém aí que calce 42?"



O inverso também vale: "Olha você é um bom zagueiro, mas não joga hoje. É muito alto e o atacante deles é baixinho. Ele nunca estará impedido na mesma linha. Você também tem ombro mais largo que o dele e além disso ele calça 38 e você 45. Não dá, ele vai sempre estar em condição de jogo. Com a linha do Var não se brinca". Vocês pensam que estou exagerando? Pois aguardem.



A graça do futebol está perdendo a graça por causa desse preciosismo digital. Além de parar demais os jogos para resolver coisas muito simples. Acho que o VAR devia se ater a questões disciplinares, se a bola entrou ou não e em impedimentos menos milimétricos. Se até os radares das ruas e estradas tem tolerância quando se ultrapassa minimamente o limite de velocidade porque o VAR não usa da mesma estratégia?



O futebol sempre foi o esporte mais praticado justamente por reunir todos num jogo só e ser simples. Joga o baixinho, o grandão, o grosso, o craque, o mais ou menos, o gordinho, o magrinho, quem sabe jogar, quem não sabe jogar e até quem nem conhece a regra. É um jogo fácil de executar e gostoso de se ver. Um drible, às vezes, tem a mesma emoção de um gol, o que também acontece com uma grande defesa do goleiro. A tecnologia é fria, calculista e às vezes mal usada, como em muitos casos agora. Na vida sempre tem agravantes e atenuantes. A Linha do VAR jamais vai entender isso. Afinal, o VAR não é esporte, é apenas uma máquina. Só mesmo nos filmes de ficção e olhe lá.