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IRRESPONSABILIDADE


Parece provocação. Em meio à pior fase da pandemia no Brasil, com falta de vacinas, novas cepas do vírus e recordes de mortes, a CBF através do seu presidente Rogério Caboclo ( Foto – Lucas Figueiredo/CBF), dá início à Copa do Brasil 2021. Serão oitenta clubes, quarenta viajando para lá e para cá, com aproximadamente trinta pessoas na delegação, como se nada estivesse acontecendo no mundo.


Os protocolos inventados no futebol não são eficientes para evitar contágio entre atletas e membros das delegações. Hoje, o Corinthians passa por um surto. Outras equipes também foram atingidas. Não há sequer leitos de hospital disponível em várias cidades do país. Fazer tamanho número de viagens, nessa altura, é uma irresponsabilidade que beira à loucura. Falta vacina. A vida é a prioridade.


Usem o cérebro, caso não esteja atrofiado, e empurrem a competição para outra data. Não importa se ultrapassar calendário. Também vale para a Conmebol com a Libertadores. É irracional impor ao perigo tanta gente por vaidade ou para cumprir contratos. Não acredito que as tvs, em plena campanha de conscientização contra a pandemia, defendam a volta do futebol desse jeito. Não acredito que patrocinadores sonhem em ver suas marcas ligadas ao perigo de um surto incontrolável.


Imaginem, nem é preciso muito esforço, se um jogador ou um treinador, conhecido no mundo todo, pega Covid e por azar vem a falecer. A imagem que o mundo tem do Brasil já é desmoralizante pelos governantes negacionistas. Uma morte no futebol seria a cereja no bolo. Abutres seriam capazes de vestirem a camisa do time da vítima para fazer graça e se o atleta/treinador for da seleção brasileira, só falta a CBF fazer cerimonia para entrega da camisa.


A Fifa com dor no bolso, adiou as Eliminatórias. É impraticável. O Japão sofre com o prejuízo de uma Olimpíada que deveria ser cancelada. Lógico que a pandemia vai trazer prejuízos e sofrimentos de toda a ordem. Os picaretas vão defender seus bolsos e apostar na desordem. “Morrer, todos morrem um dia”. Os responsáveis não se misturam a esse tipo de gente. Sabem que sem vida, o lucro só existe para funerária. Colaborar de forma irresponsável para aumentar o perigo de contágio ou expor um grupo de pessoas à doença, é um crime. Usem o cérebro e não o bolso.