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Imagem desgastada fora de campo


O Flamengo deveria ser um exemplo. Fez coisas boas nos últimos tempos dentro de campo, mas fora das quatro linhas, decepciona. Não bastasse a tragédia com os garotos da base, com incêndio e mortes no Ninho do Urubu e uma enrolada solução para as vítimas da catástrofe. O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim ( Foto – Divulgação ), escolheu o lado errado para liderar o futebol. Defendeu a volta precipitada do Campeonato Carioca e corre o risco de comprometer a imagem do clube, caso algo dê errado e um atleta, seja de que clube for, virar vítima da pandemia.


Landim não esconde, virou aliado do presidente Jair Bolsonaro. Frequenta os bastidores do poder, vai em posse de ministro e já vestiu com a camisa do clube o presidente e até o ex-ministro Sergio Moro. Parece um bolsominion com suas atitudes impensadas e seu marketing a favor do presidente. Bolsonaro é declaradamente palmeirense. Vestir o presidente com o manto rubro-negro, dar broche e insistir nesse marketing político é vergonhoso. O Flamengo é maior que o poderoso do momento e sua imensa torcida nunca compactuou com postura contra a democracia.


Porém, é na pressa insensata da volta do futebol que Landim compromete a imagem do clube. Liderar o processo de retorno traz um desgaste desnecessário. Jogadores, sindicato, torcida, clubes rivais, imprensa e ciência são contra. Lógico que dentro do clube ninguém vai ser do contra. Deveria. As informações para justificar essa postura são controversas. Caso Landim esteja usando o Flamengo para fins políticos partidários, só para sair na foto com Bolsonaro, merecia ser afastado do clube.


Dizem que a estratégia do Flamengo em forçar a volta do futebol no Rio tem o propósito de acelerar o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e se possível a Libertadores. Nessas competições, o clube tem dinheiro para receber de cotas de TV e participação. Sacrifica vidas no Estado onde sequer tem acordo para transmissão de seus jogos, para pressionar pelo dinheiro que virá na segunda etapa do retorno do futebol. A estratégia pode custar vidas. A pandemia já levou o massagista Jorginho com quarenta anos de clube.


Voltar aos treinos antes dos demais, fazer testes e usar o marketing de time organizado não combina com a realidade. Parece golpe de esperto, coisa de quem busca tirar vantagem. O Flamengo também quer acelerar camisa e patrocinador novo. Pode ser uma ação desastrosa para as marcar que acompanham o clube se ocorrer um erro fatal. Nem TV termos no jogo contra o Bangu. Maracanã vazio, evita vaias se o presidente aliado cumprir promessa de assistir ao jogo. O Flamengo virou a cara para o torcedor. Inacreditável! Não basta a vergonha de ver a imagem do Flamengo desgastada com a tragédia dos meninos no ninho! Landim expõe ainda mais a imagem do clube fora de campo. Lamentável.