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Faixa de capitão vira “chicote” de Tite para Neymar

Faixa de capitão vira “chicote de Tite” para Neymar. Foi isso que ficou parecendo quando o treinador da Seleção informou ao jogador que ele perdeu a faixa depois da sua indisciplina jogando pelo PSG, na Copa da França. Tite usou a faixa como os pais usavam os chicotes, ou as cintas, para “endireitar” os garotos de antigamente. Errou, apanhou, fica com um belo vergão nas pernas e na bunda e vê se aprende. Era assim e ninguém ameaçava os pais de prisão por educarem os filhos também com chicotes. Hoje isso seria crime e viraria manchete mundo afora. Mas já que não tem mais esse jeito, vai de faixa de capitão mesmo.

Daniel Alves é o novo capitão da Seleção Brasileira. Jogador vencedor, amigo de Neymar, titular de Tite na Copa América se estiver em forma, mas dificilmente chegará à Copa de 2022 inteiro. Fez 36 anos no último dia 6 de maio e as pernas pesam mais a cada dia. Na Copa do Qatar estará com 39 anos.

A pergunta agora é: “Como Neymar reagirá com a perda da faixa de Capitão da Seleção Brasileira?”. Eu, particularmente, acho que não afetará em nada a sua conduta. Ser capitão é apenas um cargo protocolar que só serve para participar do sorteio de campo ou bola antes do jogo. Não tem toda essa importância que o próprio Tite atribuiu em muitos momentos para agradar gregos e troianos ou atletas e corintianos. O próprio Daniel Alves já foi capitão em outras vezes e não teve esse alarde todo.

Conheci muitos capitães sem faixa. Chicão, do São Paulo, era um deles. Mandava e muito no time e mesmo na Seleção no jogo, em Rosário, em 1978, mandou no meio-campo e parou os argentinos no peito. Faltou alguém fazer um golzinho lá na frente, a parte dele ele fez e muito bem. No tricolor deu várias mostras de ascendência sobre os companheiros.

Outro era Zito, lendário volante do Santos, que gritava até com Pelé e fazia o Santos correr e golear muitos times mundo afora. Não deixava ninguém se esconder na hora do jogo e tinha o respeito de todos no clube, do porteiro ao presidente. O que ele fazia e dizia era lei. Mas incrivelmente nas duas Copas que jogou e ganhou (58 e 62) ele não tinha a faixa de capitão, mas cá entre nós, precisava?

Há outros que não precisam gritar. Tem a chamada ascendência técnica sobre os demais. Nessa categoria estão gênios como Pelé, Zico, Ademir da Guia, Tostão e muitos outros. A sua simples presença já gerava muito respeito dos companheiros, do árbitro e dos adversários. Gosto muito do trabalho de Tite e sei que ele é muito boa pessoa também. Tem o estilo dele, mas sempre achei uma grande “bobagem” esse negócio de rodízio de capitão. Mas ele acredita que valoriza o elenco, então tudo bem, a gente aceita.

O mais importante sobre Neymar não é a retirada da faixa. É como ele vai enfrentar essa Copa América depois de tantas críticas e notícias negativas que o envolveram fora do gramado. Acho que Neymar é muitas vezes perseguidos no campo e fora dele, mas também entendo que ele muitas vezes dá muitos motivos para os seus adversários o colocarem na fogueira. Sua última temporada foi muito abaixo do esperado. Ele que perceba que a Copa América é um bom caminho para recuperar sua imagem não só na Seleção, mas também no futebol mundial. Jogar bola ele sabe, e muito.

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