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Agora temos o jogador que derruba Presidente

Agora temos o jogador que derruba presidente. É como se ouvir que tem jogador que derruba técnico. Toda vez que um cai lá vem de novo essa cantilena. Há poucos dias com a derrota de 3 x 1 para o Coritiba, Luxemburgo caiu no Palmeiras e muita gente conseguiu ver que os jogadores entregaram o jogo para derrubar o treinador. Será? Afinal, o nome dos caras também estava em jogo e quem faz com um faz com outro também.


A verdade que é difícil provar algo assim, mas o futebol é um segmento como outro qualquer. Tem os mais comprometidos, os mais profissionais e tem também aqueles que não estão nem aí e que também são desonestos. É normal, a vida humana tem dessas coisas.



Acredito piamente que a grande maioria das pessoas tem boas ações mesmo errando algumas vezes, o que é humano, mas há um grupinho que às vezes toma conta e fica parecendo que todos são maus, quando na verdade foram apenas silenciosos e não tiveram a coragem para reagir também em grupo. Isso acontece nas melhores famílias e nos melhores times.



Carlos Alberto Parreira passou por essa situação quando dirigiu o São Paulo logo após a saída de Telê Santana. Quando o time ganhava os torcedores gritavam na arquibancada: "Telê, Telê", mas quando perdia gritavam: "Fora, Parreira". O problema é que havia inimigo na trincheira. Vários jogadores queriam derruba-lo. Entre eles, Müller, que tinha sido convocado por Parreira para as Eliminatórias e foi a Copa de 94, nos Estados Unidos, como reserva e que não esconde de ninguém que para ele, Parreira era um técnico fraco.



Quando percebeu as articulações contra si, Parreira pediu demissão. A diretoria do São Paulo, que na época, era muito mais atuante e menos conivente que a atual, chamou o treinador e disse que ele seria mantido e os jogadores "rebeldes" seriam punidos e afastados. Parreira não quis, disse que preferia sair.



Agora temos o jogador que derruba até o presidente. Bartomeu, presidente do Barcelona, bateu de frente com Lionel Messi e teve que renunciar. O craque levou a melhor. Derrubou o presidente de um dos maiores clubes do Mundo. Bartomeu deu motivos também. Quis pressionar o atleta indevidamente e a torcida logo ficou a favor de Messi, que se aproveitou bem da situação quando ameaçou ir embora. Sabia que nessa queda de braço o vencedor seria ele.



Quando a pressão aumentou, Bartomeu para acalmar a torcida disse que Messi ficaria porque tem contrato com o clube e foi o que acabou acontecendo, mas parecia saber no que isso ia dar e declarou: "Se for para o bem do Barcelona, saio eu" e saiu ontem alegando falta de segurança para si e para sua família.



Antes também já se falava que Messi tinha horror ao trabalho de Setién, um técnico sem currículo para treinar o Barcelona, que foi bancado por Bartomeu. É aquele que tomou de 8 do Bayern, num dos resultados mais vergonhosos da história do time catalão e que o Palmeiras colocou na sua lista para substituir Vanderlei Luxemburgo. Será que já tirou ou ainda continua na lista Verde?



Messi queria Neymar de volta ao Barcelona e Bartomeu não conseguiu recontrata-lo. As relações azedaram de vez depois dos péssimos resultados em campo. De quem a culpa? Do presidente em questão ou também de Messi? A chegada de Ronald Koeman como treinador trouxe novos caminhos e ele conta com Messi para construir um novo Barcelona, mas quase o plano naufragou por desentendimento entre Bartomeu e o jogador. Se perde Messi, Koeman teria mais trabalho para recuperar um time vencedor. Se já é difícil com ele, seria muito pior sem ele.



O que sobra para Messi nessa vitoriosa queda de braço é mais responsabilidade. Se o presidente o atrapalhava, ou atazanava suas ideias, agora o problema não existe mais. Vai ter que mostrar tudo o que sabe e não pode mais reclamar. No fim quem pode levar a melhor é Bartomeu. Se o Barcelona continuar claudicante e não conseguindo bons resultados, ele poderá dizer: "cobrem o Messi". Toda ação tem uma reação. Boa ou má. Aguardemos, até porque o grande Barcelona parece ter ficado no passado. Vai sofrer para tentar ser o mesmo de antes. É a vida. As coisas não são para sempre. Nem Bartomeu, nem Messi, nem o Barça.