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A HORA DA SAUDADE

Começou neste fim de semana o Campeonato Paulista.


Mais importante competição regional do País, o Paulistão mexe com a emoção de mais de 65 milhões de torcedores, segundo a mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, e envolve alguns dos maiores clubes brasileiros. Só para se ter uma ideia, dos seus 16 participantes em 2023, nada menos do que 13 disputarão o Campeonato Brasileiro a partir de abril, a saber: Bragantino, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, na Série A; Botafogo, Guarani, Ituano e Mirassol, na Série B; São Bernardo, na Série C; e Inter de Limeira, Ferroviária e Santo André, na Série D. Somente Portuguesa, Água Santa e São Bento não estão classificados para nenhuma das quatro divisões nacionais neste ano.

O parágrafo acima contém duas verdades e uma mentira: de fato, o Paulistão é, ainda, o “top” dentre todos os campeonatos estaduais, até porque alguns deles, convenhamos, beiram o ridículo em se tratando de organização e competitividade; e também não se contesta que, quase sempre, os favoritos à sua conquista são quatro dos maiores times do Brasil – Timão, Verdão, Peixe e Tricolor. Mas no que diz respeito ao interesse do torcedor, isso nem de longe se pode afirmar com certeza – hoje, ao contrário de ontem, são raríssimos aqueles que dedicam seu tempo ou perdem seu sono por causa deste torneio.

Houve um tempo, e nem faz tanto tempo assim, que o Campeonato Paulista era tão importante quanto o Brasileirão ou mesmo a Libertadores. A rivalidade entre alvinegros, alviverdes, tricolores e santistas se acirrava ainda mais a cada edição, a Lusa quase sempre montava equipes sempre muito bem qualificadas e os times do Interior, muitas vezes, surpreendiam com craques em nível de seleção – como Ponte Preta e Guarani nos anos 70 e 80 ou Bragantino nos anos 90. Por isso, ser campeão paulista era algo importantíssimo: que o digam corintianos e palmeirenses, que amargaram longos anos sem levantar esta taça e, quando o conseguiram, fizeram festas inimagináveis e por isso mesmo inesquecíveis.

Só que o tempo foi passando, os interesses foram mudando e o Paulistão foi perdendo força e graça. Os motivos? Competições mais interessantes, financeira e esportivamente, foram criadas (como as Copas do Brasil e Sul-Americana), outras passaram a receber uma atenção infinitamente maior (caso da Liberta), a força do nosso Interior foi diminuindo devido à constante crise econômica, menos jogadores foram revelados e regulamentos frágeis e discutíveis – caso, mais uma vez, do da edição deste ano – foram criados. Com isso, a atenção do torcedor e dos principais clubes foi se desviando para outros focos e, hoje, nosso torneio estadual só desperta atenção quando chega a hora das partidas decisivas.

Saudosista ferrenho que sou, ainda me emociono com o Choque-Rei, os Derby’s (tanto o da Capital quanto o de Campinas, embora este não acontecerá em 2023, já que a Macaca foi rebaixada no ano passado), o Majestoso, o Clássico da Saudade, o San-São e o Clássico Alvinegro. Mas sei que sou minoria, pois quase todos os mais de 65 milhões de torcedores que citei acima encaram a competição apenas como um treinamento para as demais que seus times terão na temporada, todas muito mais importantes e muito mais lucrativas.

De qualquer forma, a bola já está rolando. E eu já estou matando as saudades.

­­­­­­­­­Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br



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