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POR QUE O FUTEBOL TEM SEMPRE DE PARAR?

 

Este texto não é sobre a tragédia no Rio Grande do Sul. Também não diminui a dor de milhares de pessoas que perderam seus bens materiais e, pior ainda, seus amigos e familiares. Da mesma forma, não deixa de ser solidário a todo o povo gaúcho, que enfrenta a maior catástrofe da sua história mostrando a bravura com a qual sempre se caracterizou.

 

Este texto apenas questiona por que muitos jornalistas exigiram a paralisação do Brasileirão. Agora, que duas rodadas da competição foram adiadas, as águas baixarão mais rapidamente? As casas serão reconstruídas em tempo recorde? Os empregos serão recuperados em um estalar de dedos?

 

Pelo mesmo motivo, este texto pergunta: quando o Nordeste morre de sede quase todos os anos, por acaso algum colega vem a público exigir que a bola pare de rolar? Quando a Amazônia arde em chamas quase todos os meses, algum repórter aparece pedindo para que um apito fizesse o jogo parar?

No tocante à isonomia, admito que os clubes do RS já estão, sim, em desvantagem em relação a seus adversários. Mas o que é “menos ruim”: três equipes da Série A terem seus jogos adiados ou todas as 20 que disputam o torneio? O que atrapalhará mais o calendário, já tão horrendo? E mais: tal situação não é exclusividade da Série A – na Série C há três gaúchos (Ypiranga, Caxias e São José) e, na Série D, outros três (Novo Hamburgo, Avenida e Brasil). E até agora não vi nenhum “coleguinha” apregoando aos quatro cantos a parada destas outras duas divisões. Aliás, a CBF sequer se manifestou a respeito. O mesmo se aplica à Libertadores e à Sul-Americana, onde Grêmio e Internacional tiveram jogos adiados, mas que nem em sonho alguém defendeu a interrupção de ambas as competições. E a Conmebol jamais daria ouvidos a este tipo de posição.

 

Gostaria, também, de lembrar que, caso o número de rodadas suspensas ou adiadas aumente, isso acarretará prejuízo aos clubes, que receberão menos de seus patrocinadores e, claro, também não terão a verba advinda das bilheterias. Aí, pergunto: se o clubes ricos terão, mesmo assim, condições de arcar com os compromissos financeiros junto a seus atletas, membros da Comissão Técnica e funcionários, o mesmo talvez não se aplique aos mais pobres e, principalmente, aos endividados, que vivem sendo manchete por falta de pagamento de salários, contas e até de marmitas.

 

Por fim, se todas as demais atividades no País seguem, dentro das limitações inerentes à situação, dentro da normalidade, fica aqui a última e mais importante pergunta: por que sempre que acontece uma tragédia, seja ela de qual tipo for, sempre aparecem jornalistas esportivos que dizem: “Ah, mas o futebol tem que parar...”?

 

Talvez porque seja cada vez maior o número de jornalistas esportivos que o são apenas por serem, e não por carregarem dentro do peito o amor pelo futebol. E justamente por isso não entendem a importância social que uma bola possui e muito menos o que ela representa para o povo brasileiro.

 

 

­­­­­­­­­Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 35 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.



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