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ZEBRA VERDE


O torcedor do Palmeiras, confiante, conta as horas para a estreia no Mundial de Clubes. A terceira tentativa de acabar com a incomoda cobrança de rivais e enterrar definitivamente o trauma de ser o único entre os grandes paulistas que não alcançou esse “sonho”. Apesar do esforço profissional de muitos envolvidos, a Copa Rio 51 parece, mas não foi Mundial. Não é falta de respeito com os atletas, nem com as pessoas que trabalharam muito para oficializar a conquista.


A Copa Rio merece espaço na galeria de conquistas do gigante Palmeiras, mas para acabar com o trauma, não basta parecer Mundial, tem que ser inquestionável. Esse o motivo da ansiedade da torcida, clube, jogadores e dirigentes. Vencer o Mundial nos Emirados é enterrar de vez uma provocação que incomoda. A última tentativa foi frustrante, um quarto lugar e nenhuma vitória. O sonhado duelo com o Bayern Munique virou pesadelo e de certa forma, um alívio. O time alemão pode nem ter jogado bem na competição, mas era infinitamente superior ao Palmeiras.


O sonho agora é enfrentar o Chelsea na decisão. O mesmo clube inglês que perdeu para o Corinthians uma década atrás e foi uma tortura para o povo verde. Chegar na final será o primeiro obstáculo. O drama aumenta porque um dos possíveis adversários é o Al-Ahly do Egito. O adversário que venceu nos pênaltis e jogou o Palmeiras no quarto lugar do ano passado. O outro adversário, o Monterrey do México. Mais um trauma, no ano passado derrota para o mexicano Tigres. Para chegar à final, o emocional vai ter peso.


O Chelsea é o grande favorito na disputa. Pode não ser um papa-títulos internacional, mas briga em terceiro lugar na atual Premier League e vem em ritmo de jogo. A data FIFA ajudou a dar um descanso e a pensar na competição. A prioridade do time inglês nem é o Mundial. Pesa as oitavas de final da Liga dos Campeões e para os “Blues”, tudo que não for um vexame será do jogo. Elenco, investimento e ritmo de jogo, tudo está a favor do time inglês.


Não considero obrigação o Palmeiras ganhar o Mundial. Obrigatório mesmo é chegar na final. Vencer não é uma missão impossível. Pode acontecer. Uma jornada feliz, são onze contra onze na hora do jogo e futebol tem surpresas. O emocional vai contar muito para o Palmeiras. Torço para acabar logo esse trauma de Mundial. Será bom para o futebol brasileiro. A última derrota de um europeu na competição foi justamente com o Chelsea. Seria um fundo azul para uma zebra pintada de verde.