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  • Foto do escritorFutebol em Rede

Temos de apoiar Vinícius Jr.


Já fui vítima de preconceito racial. Sei o quanto dói. Não sou negro. Sou o que se pode chamar de moreno. Com a cor da pele escura o suficiente para despertar a ira dos intolerantes “torcedores” ultras, facção radical, presente nos estádios na maioria dos clubes europeus, do PSG francês, já fui obrigado a mudar de lugar no Parque dos Príncipes.

Eu e a minha companheira à época, também morena, fomos ofendidos pelos ultras logo na entrada do estádio parisiense.

O ano era 1993.

Jogavam PSG e Monaco.

1 a 0 para o Monaco, gol do liberiano George Weah, o primeiro africano eleito o melhor do mundo.

Raí jogava no clube francês. Entrou no segundo tempo. Sua entrada foi saudada com o gesto nazista pelos ultras. Aos gritos de Rai, com os braços direitos esticados e com ênfase no R e no A, saudaram Raí como se estivessem em uma manifestação de apoio a Adolf Hitler.

Policiais franceses evitaram que fôssemos agredidos pelo bando de racistas/criminosos. Fomos levados para um setor distante dos ultras. Mas, de lá, salvos, ouvimos a saudação nazista que os imbecis fizeram para saudar a entrada de Raí.

A saudação foi feita para a pessoa errada.

Raí está muito longe de ser racista.

O irmão do saudoso Sócrates, o líder da Democracia Corinthiana, segue os passos do Doutor, e também é de esquerda.

E não esconde isso em seus pronunciamentos.

Relembro o caso para falar de Vinícius Jr.

Neste final de semana ele foi mais vez vítima de racismo na Espanha.

Foi décima vez em estádios espanhóis.

Lamentável foi o pronunciamento de Javier Tebas, presidente da Liga espanhola. Adepto do ditador Francisco Franco, Tebas insiste em culpar Vini.

Vinícius Jr acabou expulso de campo no confronto com o Valência. Levou um sossega leão de um adversário, reagiu com um tapa e foi excluído do jogo.

Vinícius ameaça deixar o Real Madrid.

E, pior do que isso, dá sinais de que a perseguição de que é vítima na Espanha por parte dos racistas o abala no aspecto emocional.

Vinícius Jr não pode ser abandonado.

Precisa ser amparado por quem abomina atos racistas.

Deixar de disputar a Liga Espanhola e se transferir para outro clube da Europa não vai atenuar a situação do atacante formado pelo Flamengo.

Vinícius Jr, por ter se insurgido contra os atos racistas, vai continuar sendo perseguido, em qualquer país da Europa.

Talvez não com a mesma intensidade e voracidade com que é xingado de mono (macaco) na Espanha.

Mas certamente ouvirá os gritos asquerosos, em outros idiomas no continente europeu.

A Liga Espanhola precisa tomar providências. Urgentes. Mas não tomará. Não enquanto for presidida por Javier Tebas, o aprendiz de Francisco Franco.

A ajuda ao craque brasileiro também não virá da Fifa, apesar das manifestações de apoio de seu presidente, Gianni Infantino.

Vinícius Jr tem tido o apoio da sociedade brasileira. Esta solidariedade não lhe tem faltado, de clubes, dirigentes e jogadores.

Isso é o que mantém e vai manter viva a indignação de Vini Jr.


Wladimir Miranda cobriu duas copas do mundo (90 e 98). Trabalhou nos jornais Gazeta Esportiva, Diário Popular, Jornal da Tarde, Diário do Comércio e também na Agência Estado. Iniciou no jornalismo na Rádio Gazeta. Trabalhou também na TVS, atual SBT. Escreveu dois livros,de grande aceitação no mercado editorial: O artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa e Esconderijos do futebol.

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