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TÁTICA CARANGUEJO E CÁSSIO


O Corinthians que Tiago Nunes criou durante a pandemia chegou na final do Paulista e quase belisca o título. Chegou a ser comparado com o time bem posicionado defensivamente por Fabio Carille, um exagero. Na tentativa de salvar seu trabalho, o treinador inventou a tática caranguejo. Um time que joga como se andasse de lado, trocando bola entre os zagueiros, vai lentamente para o ataque e exige milagres de Cássio ( Foto – Rodrigo Coca/SCCP ).


Hoje, Cássio é a principal marca do Corinthians. Voltou salvando o time contra o Palmeiras, fez belas defesas, virou a referência e só não conseguiu resolver sozinho nos pênaltis o título paulista. Porém, com a tática caranguejo fica exposto demais e corre sério risco. Mesmo sendo um extraordinário goleiro, vai falhar uma em cada dez tentativas dos adversários. A tática caranguejo chama o adversário na direção do goleiro e multiplica a chance de acontecer a falha. Cássio deveria pedir aumento de salário por periculosidade. Vive entre o céu e o inferno.


O estilo caranguejo de Tiago Nunes expõe também os zagueiros, responsáveis por fazer o time andar de lado. São eles que fazem a saída de jogo e trocam bolas até alguém resolver aparecer para receber a bola. Um erro na saída de bola é fatal. Os zagueiros também viraram uma das soluções do ataque nas bolas pelo alto. Jô, isolado, fica encarregado de beliscar os rivais. É a única garra do caranguejo. Para quem nasceu Gavião, a transformação em caranguejo é um retrocesso.


Numa competição longa como o Campeonato Brasileiro, com adversários de tradição e mais ofensivos, a tática caranguejo deve levar ao Corinthians, no máximo, para a vaga na Sul Americana. O estilo pode dar certo no Athlético Paranaense onde a necessidade de propor jogo é menor. No Corinthians, empate dentro de casa é derrota. A cobrança é grande e os adversário irão fazer o caranguejo sair da toca para cometer erros. Não dá para depender só das defesas de Cássio e jogar por uma bola o tempo todo.