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SONHO VIROU PESADELO


O Paris Saint Germain conquistou a Ligue 1 (Campeonato Frances) pela décima vez e igualou a marca histórica do Saint-Etienne. O feito não agradou aos torcedores e houve protestos. Parte da torcida deixou o estádio e foi comemorar nas ruas, ainda magoada com a frustração da equipe de ser mais uma vez eliminada da Liga dos Campeões. Na lógica do torcedor, a frustração de ter um time cheio de estrelas e não vencer a principal competição da Europa é maior do que ser o maior vencedor da França.


O grande problema do time francês é a expectativa criada com os caminhões de dinheiro despejados pela Qatar Sports Investments (QSI). Desde a chegada do grupo foram oito títulos da Ligue 1 e um vice na Liga dos Campeões em dez anos. Representa 80 % dos títulos nacionais do Paris Saint Germain. Contrataram grandes craques para igualar a fama de galácticos que desfilaram pelo Real Madrid. O erro foi prometer em curto espaço de tempo conquistar a Europa. Um sonho possível, mas não imediato.


O Paris Saint Germain virou um triturador de treinadores. Já passaram pelo clube Carlo Ancelotti, Unai Emery e Thomas Tuchel. Todos com reputação e títulos acumulados. Deixaram o clube com a etiqueta de fracassados. Um time que contrata os melhores possíveis e não ganha, a bomba estoura no treinador. A próxima vítima deverá ser Mauricio Pochetino. Foi jogador do clube, chegou com menos conquistas que outros técnicos e teve nas mãos o impensável trio Messi/Mbappe/Neymar. Não importa que no início do trabalho e com mais um ano de contrato, tenha vencido na França. Querem Zidane para comandar o time.


A pressão por resultados imediatos, entenda-se uma Liga dos Campeões, queima até as grandes estrelas do time. Messi chegou, rendeu o básico, ganhou seu primeiro título no clube e ainda está em adaptação. Neymar virou alvo de insatisfação geral porque cai muito, joga pouco e as contusões não permitem sua presença nos momentos decisivos. Mbappe chegou para ajudar a Neymar a ser o melhor do mundo e tomou o lugar de principal estrela do time. Jogador muito acima da média, vai ganhar o mundo e pode deixar a França para brilhar em palcos mais tradicionais.


Contratar grandes jogadores não é garantia de sucesso. Isso aconteceu em vários clubes pelo planeta. Chegaram para a temporada Donnarumma, um goleiro que falhou tanto que recuperou o prestígio do antecessor Navas e Sergio Ramos, um líder para a defesa com experiencia de sobra e com contusões preocupantes. Até agora não faltou dinheiro, faltou paciência para o sonho virar realidade. Além do treinador, os enfurecidos torcedores querem a cabeça de Leonardo, ex-jogador brasileiro, hoje dirigente do clube.


O Paris Saint Germain, um dia deverá alcançar o desejado título europeu e igualar o feito do Olympique de Marseille, campeão diante do Milan em 1993. Antes terá que controlar a ansiedade de seus seguidores e tentar diminuir a expectativa do título. A possível saída de Mbappe pode aumentar a pressão e tornar ainda mais difícil e realização do sonho. Moral da história, dinheiro não compra felicidade. Até agora, só transformou um sonho num eterno pesadelo.