• Futebol em Rede

RUÇO, PARA LEMBRAR E GARGALHAR


Olá amigos


O mundo, que é uma bola, continua parado, mas com algumas aberturas. Até quando, só Deus sabe. Então, confinado, com muita saudade de ver a bola rolando prá valer, estou lembrando coisas que vi, das amizades, das coberturas de jogos, viagens etc.


Neste último dia 3 de junho lá Face book havia uma foto do Ruço (José Carlos dos Santos) que nasceu nessa data em 1949 e faleceu em 01 de setembro de 2012, vítima de um AVC . Era bom jogador (volante) , baita boa praça e muito engraçado. Dizia que quando se olhava no espelho, tal qual a “madrasta” da Branca de Neve, dizia: “Espelho meu, existe no mundo alguém mais bonito que eu?” Era muito simpático, brincalhão e digamos “feinho”. Lembrei, então, de algumas situações hilárias que aconteceram com ele.


Num jogo Palmeiras e Corinthians, no Morumbi, numa jogada ele subiu para dividir uma bola de cabeça com o Cesar Maluco. Ruço caiu de joelhos no chão e perdeu a dentadura. Engatinhando, quis pega-la e o Maluco, tremendo gozador, com o bico da chuteira, empurrava-a mais pra frente. Todos rindo, jogadores, árbitro e repórteres.


No episódio famoso de 1976, (Campeonato Brasileiro) na INESQUECÍVEL INVASÃO DO MARACANÃ, eu estava no Rio desde a sexta-feira. Foi emocionante e uma loucura. Os corintianos tomaram conta da Cidade Maravilhosa. Avenidas das praias com barracas armadas e torcedores nelas, muitos dormiram na areia, bandeiras nos carros, corso do Leme ao Leblon - foi emocionante. No dia do jogo, mais da metade do público no Maracanã era alvinegro. Muito calor e uma tempestade no segundo tempo da partida.


Atração a mais nesse jogo, Rivelino ex-Corinthians, no time do Flu. Todos se lembram né? Nos 90 minutos, Fluminense 1 - Corinthians 1. Gol corintiano marcado pelo Ruço, empatando o jogo, numa meia bicicleta. Golaço!


Decisão, então foi nos pênaltis. Classificação do Timão com vitória de 4 a 1 e um dos pênaltis batido por ele.


História que ele contou depois da partida: chegada do ônibus e ida para o vestiário, um torcedor corintiano encostou, abraçou-o e cochichou no seu ouvido: “para ganhar esse jogo você tem que passar a mão na “bunda” do Rivelino. Ele, apesar de amigo do Riva, ficou meio encafifado. Como fazer isso? Mas houve a chance. Porque num lance aconteceu um escorregão do “Orelha” (apelido do Rivelino) e surgiu a chance de cumprir a simpatia (?). Ajudou-o a levantar-se e passou de leve a mão e deu um tapinha, na “buzanfa” dele.


Lembro-me que na segunda-feira, retornei no mesmo avião que trazia de volta a vitoriosa delegação do Corinthians. Armei com o técnico da Tupi (Equipe 1040), com autorização do comandante e o pessoal do comando da Aeronáutica, transmitir de bordo do avião a chegada a São Paulo. Sobrevoando Congonhas, lá de cima víamos a avenida e ruas adjacentes repletas de carros, gente, motoqueiros esperando a delegação. Incrível! O comandante da aeronave era corintiano e estava eufórico, muito empolgado. Então, homenageando a torcida, deu um vôo rasante sobre a avenida e levantou o avião balançando as asas, saudando os torcedores. Frio na barriga de todos a bordo e gritos de CORINTHIANS !!! CORINTHIANS !!!


Dá para esquecer um momento desses da nossa carreira?

Assim amigos, irei lembrando e contando momentos inesquecíveis que vivenciei ao longo dos agora 61 anos de jornalista e repórter esportivo. Tenho mais histórias e estórias para contar que 30 manicures juntas.


Combinado? FIQUEM EM CASA!!!

UM ABRAÇO.

Lucas Neto