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Roberto Silva e as abelhas caseiras

Roberto Silva e as abelhas caseiras. Roberto foi um dos maiores repórteres da história do Rádio. Fez história na Rádio Bandeirantes com o genial Fiori Gigliotti e Mauro Pinheiro, um trio da pesada dos bons tempos do Rádio. Depois na Capital e na Rádio Record também desfilou seu enorme talento. Baixinho, dizia que queria ser goleiro quando jovem, mas só caia bem de um lado, no outro era frangueiro. Só podia ser brincadeira, com aquele tamanhinho não seria goleiro nunca, mas tinha um coração e uma voz que Deus diria que eram Divindade pura. Trabalhei e aprendi muito com ele na década de 80 na Rádio Record. Foi uma honra dividir jornadas com suas sacadas inteligentes e engraçadas.

Lembrei de um episódio com Roberto Silva por causa do jogo deste fim de semana em que um enxame de abelhas na bandeirinha atrasou o jogo Fortaleza 0 x 1 Internacional. Foi torturante expulsar as abelhas para o jogo começar. A outra história foi em Belo Horizonte. Enquanto estávamos, no Morumbi, Osmar Santos, Loureiro Junior, eu, Oswaldo Pascoal e toda a turma, Roberto estava em BH para o jogo Atlético Mineiro e Portuguesa de Desportos. A lusa tinha um timaço com Waldir Perez, Zenon, Juari e fazia uma campanha excelente. Venceu aquele jogo por 3 x 0. No intervalo Roberto diz que o jogo ia atrasar por causa de abelhas, no Mineirão.

Osmar Santos, sempre muito espirituoso, começou a acionar Roberto. “E aí, vai ter o segundo tempo ou não vai? Dá um jeito nas abelhas, Roberto” e ele respondia; “Estamos esperando, as abelhas estão lá”. Daí a pouco, o Roberto informou que Waldir Perez, que ficaria no gol onde estavam as abelhas, ia reclamar com o árbitro e aí se deu a história com o repórter entrando em campo com fios e tudo para acompanhar o goleiro: “Osmar, Waldir Perez se dirige ao árbitro para pedir providências contra as abelhas, vamos lá com ele, estou acompanhando o goleiro da lusa”. Quando Waldir reclama, o árbitro responde candidamente: “Sr. Waldir, fique tranquilo, são abelhas caseiras”, no que o sagaz Roberto Silva intervém prontamente: “É, seu juiz, mas nós somos de fora”. Foi só risada dos envolvidos, até o árbitro chorou de rir. Esse era o Roberto Silva, um cara engraçado, excelente profissional e atento a tudo.

Na foto dessa matéria está Roberto Silva em primeiro plano e logo atrás Sérgio Cunha que brilhou também na Bandeirantes e com quem trabalhei na Rádio Gazeta e na Record. Também foi um professor para mim. Tinha uma visão macro do que era o Rádio, conhecia bem todas as funções. Tinha, e tem, uma voz muito bonita e gostava também de passar seus conhecimentos. Isso é raro hoje em dia. Tive sorte de contar com grandes companheiros na minha carreira. Eu como caipira de Piracicaba, desconfiado de elogio fácil e lidando mal com elogios, quando alguém diz que fui um grande repórter, penso assim: “A Culpa é de grandes companheiros que me passaram tanta coisa boa”. Talvez a minha melhor virtude tenha sido prestar atenção neles e “sugar” o que era melhor. Por isso quando hoje ouço uma transmissão e alguém usa frases minhas, ou uma tirada de meta como eu fazia, eu também penso que alguma coisa boa eu deixei. Me sinto homenageado. É o que eu dizia quando o time vinha oficialmente escalado: “Está na pedra”. Daí não muda mais. É história.

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