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Reprises provam que Brasil de 94 e Corinthians de 2012 eram melhores do que se dizia

Reprises provam que Brasil de 94 e Corinthians de 2012 eram melhores do que se dizia. Com essa pandemia e várias reprises televisivas para preencher a grade esportiva temos boas "velhas" novidades. Vimos a Seleção de 70 no seu esplendor. Nenhum time no Mundo até hoje teve tantos jogadores acima da média reunidos de uma vez só. Por isso é considerada a melhor seleção de todos os tempos.



Ah, dirão os conhecedores de táticas de almanaque que nasceram de 1990 para cá. Era muito lento, era mais fácil. Era? Jogava-se a Copa ao meio dia, com sol a pino e o Brasil teve um trabalho físico extraordinário que superou todos os adversários. Além disso tinha Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e de quebra aquele que é considerado o maior de todos, Pelé, e um Zagallo, campeão de 58/62 como jogador, inspirado como técnico no banco. Mesmo assim teve dificuldades na Copa. Todos os campeões têm, não é demérito, é superação do jogo e aí que os craques decidem.



As reprises também derrubaram outros mitos. A Seleção de Parreira, campeã do Mundo de 94, era retranqueira. Não era, jogou uma grande Copa tecnicamente e taticamente. Na final contra a |Itália foi para a prorrogação, mas merecia ter vencido no tempo normal. A Itália só teve uma chance no jogo. Foi dominada o tempo todo pelo Brasil. Uma pena que a ótima dupla Bebeto e Romário não luziu no jogo final, mas todo o trabalho da equipe era feito para eles fazerem pelo menos um gol por jogo.



Lembro que Parreira nos dizia que esse era o pulo do gato. Ele achava, e parece que acertou, que com dois grandes atacantes na frente se fizesse um gol não perderia o jogo jamais. E ainda tinha no banco Müller, Viola e um jovem que já era genial chamado Ronaldo, que depois virou Fenômeno. Teve um duro combate contra a Holanda, em Dalas, mas daí apareceu a individualidade e o time ganhou. Outra coisa que o técnico dizia era: "Já estamos há 24 anos sem uma Copa, precisamos ganhar essa de qualquer jeito. Se ficar mais uma Copa sem ganhar uma escola tão importante como a nossa começará a ter problemas". Quando descia da tribuna segurando a Taça de campeão, ele gritava para os torcedores: "Pode tocar, pode tocar, é nossa".



Outro mito que caiu. O Corinthians de Tite foi campeão do Mundo no contra-ataque contra o Chelsea. Não foi. Jogou de igual para igual, dominou grande parte do jogo, e em vários momentos colocou o time inglês na roda. O lado esquerdo com Danilo e Fábio Santos deu um show. Jorge Henrique que virou titular para a final mandou no meio-campo. O time teve troca de passes, triangulações, envolveu o adversário e Cássio apareceu para salvar também na hora certa. Por causa de uma grande defesa do goleiro ficou a impressão que o Chelsea massacrou o Corinthians. Não foi verdade.



Eu cobri esse Mundial e como brasileiro fiquei orgulhoso. Lembro que quando fomos com a delegação do Corinthians assistir o jogo do Chelsea contra o Monterrey até os jogadores do Corinthians ficaram em dúvida se podiam vencer o time de Lampard, David Luiz, Oscar & Cia. A gente notou um certo desânimo tal a facilidade do Chelsea para se classificar. O Corinthians tinha sofrido mais na véspera.



Vendo aquele jogo Tite definiu Jorge Henrique no lugar de Douglas. Assim o time fecharia os espaços e ganharia o setor. Lembro que após o jogo numa espécia de bate papo improvisado da imprensa com os atletas alvi-negros, Marcos Belo, grande repórter da Transaméria e o Vessoni, diziam para o Jorge Henrique: "Você vai para o jogo. Está na final" e ele não acreditava muito.



Chegando no hotel percebendo que o time estava preocupado demais com o Chelsea, Tite reuniu o elenco e disse o seguinte: "Vamos ganhar" e mostrou todos os defeitos possíveis e exploráveis no adversário. Quando a porta da sala se abriu saiu um Corinthians vencedor. O semblante era de confiança.



O novo "velho" titular Jorge Henrique no segundo tempo deu uma entrada mais forte em Lampard quando o jogo já estava 1 x 0 para o Corinthians e o inglês ficou sentado à sua frente esperando um pedido de desculpa ou a mão do adversário para se levantar. Jorge nem ligou. Na zona mista falei com ele: "Jorge, você deu uma entrada forte no Lampard e depois nem quis dar a mão para ele se levantar". A resposta mostrou como encarou a final: "Não vim aqui para dar a mão para o Lampard, vim para ser campeão". E foi.



Estive no Japão duas vezes. Um ano antes, 2011, passei vergonha com o meu Santos tomando de 4 do timaço do Barcelona. A coisa que mais me revoltou no Santos é o que o time não tentou jogar e eu dizia para o Tite, para os dirigentes e até para jogadores do Corinthians que encontrava todos os dias: "Só tem uma coisa que jamais vocês poderão deixar de fazer. Não deixem de jogar, mesmo que perca, mas não deixem de jogar. Mostrem sua cara, mostrem ao que vieram". O Corinthians fez isso e foi campeão.



Tempos depois numa entrevista na Jovem Pan, Tite foi humilde e reconheceu: "Merecemos o título, mas se fosse com o Barcelona não daria. A diferença era muito grande". Serve de consolo, mas não apaga a vergonha de tomar 4 numa decisão.



Além do Japão, bem antes estive na Copa de 94, nos Estados Unidos, e confesso embora tenha acompanhado de perto esses jogos, agora vendo as reprises com calma, mais frieza e sem aquela preocupação do trabalho em si, além da saudade veio outra realidade. Esses times, Brasil de 94 e Corinthians de 2012, eram bem melhores do que se disse de lá para cá. Tinham técnica, tática e ótimos jogadores. Por linha tortas a Pandemia tem mostrado que já se jogou muito mais no Brasil e por isso ganhávamos mais também. É o que penso.