• Futebol em Rede

REFÉNS


Virou moda no futebol brasileiro. Torcedores organizados e mídias sociais virarem fiscais dos clubes, com poder de punição e pressão. Não desprezo a “paixão” dos torcedores de forma alguma. Porém, é necessário separar o torcedor apaixonado dos manipuladores dessa paixão. Pode parecer loucura, mas o amor tem limites que precisam ser respeitados, senão não é amor. O torcedor é parte fundamental da equação futebol. Deve ter seu espaço e direito de manifestação, sem ultrapassar limites. Quando o amor passa a impor regras, ditar punições e agressões, perde o sentido, vira assédio.


Vou dar exemplos para ser compreendido. Torcidas Organizadas tem direito de manifestar descontentamento. Vaia é livre. Críticas também fazem parte. Agora, invadir Centro de Treinamento, ameaçar e ou ofender física ou moralmente, a “razão desse amor”, é crime. Vamos usar a lógica. Você acha que a torcida organizada, que “resolve” seus problemas com facções rivais, com violência, tem condições de ditar soluções para o seu time? Sabe quantos já morreram só porque usaram a camisa do outro clube no caminho de facções como essas?


Pense mais profundamente. Você acredita que entre esses violentos apaixonados, exista alguém com capacidade de solucionar os problemas do seu time? Sim, pode acontecer uma exceção. Mas garanto que no comando dessas organizações é a força que detém o poder, nunca a exceção. Em todos os clubes, torcedores organizados fazem parte do quadro associativo, trocam votos por regalias e em alguns casos, até fazem parte da direção do clube. Uma mesma torcida, marca presença na situação e na oposição. Garanto que a finalidade não é estimular o crescimento do clube.


Portanto, não se deixe enganar. Quando você notar torcidas organizadas gritando contra essa ou aquela administração, lembre-se que eles fazem parte do processo e tem interesses mais fortes do que o melhor desempeno esportivo do seu clube do coração. Mesmo aqueles que são facilmente identificados com torcidas, quando estão no poder, tratam de deixar a camisa no armário e usam trajes civis para não comprometer a “paixão”. Quando você vai a um protesto pela má fase do seu time, o que menos importa é a má fase do time.


Vamos mudar o foco. Virou mania perseguir jogadores em nome da saúde nesses terríveis momentos de pandemia. Dedo duro ou delator, vai à caça de jogadores em atitudes suspeitas pela cidade. Usam a paixão pelo futebol como escudo de xerife para punir infratores. Quem deu a eles o poder de polícia institucional? Estão fazendo bem ao clube? Não acredito em agentes de bem-estar social com o porrete na mão. Pode ter certeza, não descobrem paradeiro de jogador na sorte ou na coincidência. Notem que os moralizadores sempre estão, sem máscara de proteção no mesmo local onde exigem protocolos de saúde.


Sim, também existe o fiscal do moralismo. Chuteira na cor do rival, nem pensar. Só que “esquecem” que a chuteira da cor errada não vai parar no pé do jogador de graça. Muitas vezes é imposta pelo mesmo patrocinador do clube. Parece conversa de daltônico, mas há quem defenda que a cor da chuteira é outra. Aliás, quem leva a chuteira para o estádio é o clube através do roupeiro. Será que essa discussão tão importante para a história do seu clube passou por todos, sem que alguém notasse?


Hoje mesmo uma Organizada bombardeou o Centro de Treinamento de um time. Duvido que vá contribuir para a excelência de resultados. Isso tudo é terrorismo. Quem ama seu clube não bombardeia, não vai à caça de jogador nas ruas, não coloca "busão" à disposição para outros torcedores, não manipula opiniões, muito menos impõe soluções na base do terror. Acredite torcedor, estou do seu lado. A paixão pelo futebol não pode ser refém de interesses inconfessáveis. Diga não ao assédio moral e violento à paixão que você tem ao seu clube.