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Queria falar sobre Joseval Peixoto

Soube da despedida do grande Joseval Peixoto. Deixa o microfone Jovem Pan depois de décadas de ótimos serviços prestados à emissora e à comunicação de uma maneira geral. Não entro no mérito da sua retirada ainda em ótima forma do alto dos seus 80 anos e com muito a passar aos ouvintes e a nos ensinar como sempre fez.

Vivia conversando com Joseval. Não era mais do Departamento de Esportes, mas tinha ligação com o futebol lembrando seus áureos tempos de grande narrador. Foi um dos melhores da história. O primeiro a introduzir uma narração mais flexível, mais leve nas transmissões numa época que não se admitia nem uma brincadeirinha por mais sadia que fosse. Depois Osmar Santos chegou e ampliou as coisas. E veio justamente na sua esteira. Chegaram a transmitir juntos na Pan.

Acompanhou grandes acontecimentos na sua vitoriosa carreira. O milésimo gol de Pelé, em 1969, narrado por ele, no Maracanã, é uma obra tão grande quanto a do Rei que acabava de se consagrar definitivamente em campo. Suas participações no Jornal da Manhã tinham o dom de prender o ouvinte e de nos ensinar várias coisas sobre vários assuntos.

Eu por um bom tempo era o primeiro repórter do Esporte a chegar na Rádio para fazer uma participação no Jornal da Manhã e os papos com o Joseval eram impagáveis. Sempre de bom humor e propenso a discutir os assuntos em pauta.

Era muito bom falar com o locutor da Copa-70. Sim, porque naquela Copa foi feito um pool de emissoras de rádio para transmitir a Copa. Só tinha uma linha para São Paulo. Jovem Pan, agregada a Record, Bandeirantes e Globo tinham direito à transmissão e por sorteio cada locutor narrava 30 minutos do jogo.

Coube a Joseval narrar os últimos 30 minutos da final contra a Itália. Narrou os gols de Gerson, Jairzinho e Carlos Alberto e anunciou com um discurso inflamado que o Brasil era tricampeão do Mundo. A sua fala após o jogo é algo para o acervo da comunicação brasileira. Voltou do México conhecido como o “Locutor da Copa”. Sem nenhum favor é uma das vozes mais bonitas da história do Rádio.

Quando perguntam sobre os grandes narradores com os quais eu trabalhei, eu cito que nunca participei de uma transmissão com Joseval Peixoto, ele é de uma geração anterior à minha, mas tive a honra de conviver e trabalhar com ele na Jovem Pan.

Dizem que algumas frases marcam a vida da gente. Um dia na redação estávamos falando do velho e bom Rádio e perguntei a Joseval: “Será que eu teria capacidade para trabalhar naquele grande rádio de antes?”. Ele começou a rir e foi indo para o estúdio, parou antes de entrar: “Trabalharia fácil, de costas. Você nunca se ouviu, não?”. Ganhei o dia, mas ainda tive tempo de chama-lo de exagerado e acho que foi mesmo. Exagerado, mas genial. Felicidades sempre meu amigo, Joseval. Mestre de todos nós.

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