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QUEM NASCE EDUARDO JAMAIS SERÁ OLEGÁRIO



Dudu: ou a arte de cuspir em sua própria história.



Durante o tempo em que exerci a função de Assessor de Imprensa do Palmeiras aprendi muitas coisas em relação ao futebol e, principalmente, a quem dele faz parte. Uma delas, talvez até mesmo a principal, é a seguinte: jogadores, seja lá de qual clube forem, torcem todos eles pelo mesmo time – o bolso. Uns mais, outro menos, é verdade, mas em síntese o que importa para eles é quanto receberão na data do pagamento. Então, esqueçam o beijo na camisa no momento da apresentação, as palavras emocionadas após vitórias ou a tristeza estampada no rosto quando as derrotas vêm – tudo isso não passa de um jogo de cena criado para que vocês, os torcedores, acreditem piamente que eles, os jogadores, amam o seu clube exatamente como você.




Nos últimos dias, tivemos mais um exemplo disso. Não vou, agora, repetir tudo o que aconteceu na novela envolvendo Cruzeiro/MG, Dudu e Palmeiras porque vocês já estão mais carecas do que eu de saber. Então, vou ser mais prático e lhes apresentar números. Vamos a eles:




1 – Dudu recebe R$ 2.100.000,00 por mês no Verdão. Como ainda tem 18 meses de contrato pela frente, ganhará até dezembro de 2025 a soma total de R$ 37.800.000,00.



2 – O Cruzeiro/MG ofereceu ao atleta um salário de R$ 2.400.000,00 (isso mesmo: apenas R$ 300 mil a mais), porém com o detalhe de o contrato ser até junho de 2028 – ou seja: por quatro anos. Isso significa que o atacante receberia R$ 115.200.000,00 até o fim do seu vínculo com o clube mineiro.



3 – Financeiramente falando, seria um Negócio da China para Dudu, pois trocando a Academia de Futebol pela Toca da Raposa ele lucraria R$ 77.400.000,00 (0u R$ 19.350.000,00 por ano). Sem dúvida alguma, um valor estratosférico para um jogador que, em janeiro próximo, completará já 33 anos. Foi por isso que ele quis ir embora.



4 – Pelo lado do Palmeiras, a transação também seria – pela ótica financeira, claro – bastante positiva. O clube receberia R$ 21.680.000,00 do Cruzeiro/MG pela rescisão contratual e deixaria de pagar à equipe mineira outros R$ 20.405.000,00 referentes ao meia Maurício, contratado ao Internacional/RS mas que ainda têm parte de seus direitos financeiros pertencentes ao clube de BH. Além disso, economizaria os R$ 37.800.000,00 que terá de pagar até o fim do contrato de Dudu. Somando tudo isso, o Verdão embolsaria um total de R$ 79.885.000,00. Foi por isso que a diretoria quis que ele fosse embora.




Só que há alguns detalhes...




1 – Por mais profissional que o futebol seja, ele não é algo frio e calculista. Ao contrário: tem no calor e na paixão dois de seus principais ingredientes. Então, de nada adianta este montão de dinheiro se o Palmeiras perderia um craque do time, um dos maiores ídolos da sua história e o símbolo-mor da recuperação do clube nos últimos nove anos.



2 – Por mais profissional que o futebol seja, Dudu – que, afirmam, foi quem procurou seu amigo pessoal, Alexandre Mattos, e pediu uma oportunidade ao diretor de futebol do Cruzeiro/MG, algo que torna esta situação ainda mais grave – jamais deveria sequer ter pensado na hipótese de deixar pela porta dos fundos o clube que o elevou à condição de craque, ídolo e símbolo. Se sentisse pela torcida palmeirense ao menos 0,0001% do amor que a torcida palmeirense sente por ele, o atacante nunca, em hipótese alguma, cogitaria sair agora, exatamente quando volta aos gramados após quase 10 meses afastado devido a uma grave contusão.



3 – Por mais profissional que o futebol seja, o atacante pode até ter o direito de agir como agiu, mas em nome do que representa para a torcida e, principalmente, para as crianças que fazem parte dela, sem dúvida as que mais o idolatram, não deveria ter agido como agiu. Dudu cuspiu em sua própria história, “queimou seu filme” com meio mundo (Palmeiras, Cruzeiro, elenco do Palmeiras, Alexandre Mattos, torcedores palmeirenses, torcedores cruzeirenses e até mesmo com seu empresário) e, mesmo que volte a jogar tudo o que sabe e pode, mesmo que garanta vitórias ou até mesmo títulos ao Verdão até o fim de sua passagem pelo clube, sempre terá uma mácula, uma mancha escura e suja em sua mais do que brilhante passagem pelo maior campeão do Brasil.



4 – Por mais profissional que o futebol seja, a verdade é que o jogador não voltou atrás em sua decisão porque percebeu o quanto estava sendo injusto com o Palmeiras e o quanto estava decepcionando seus milhões de fãs. Ele voltou atrás porque foi ameaçado – o termo é este mesmo: ameaçado – por uma das torcidas organizadas do clube. É aquele tal negócio: quem tem ..., tem medo.




Por fim, deixo aqui uma conclusão: Dudu, o Olegário, jamais teria coragem de fazer o mesmo que fez Dudu, o Eduardo. Eu tenho certeza de que não. E sabe por quê?




Porque Eduardo’s há muitos neste mundo de meu Deus. Mas Olegário sempre será um só.

 


­­­­­­­­­Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 35 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.





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