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Quem concorda com Sérgio Ramos?

Quando questionado sobre o nome de Antonio Conte para substituir o demitido Lopetegui, no Real Madrid, o zagueiro Sérgio Ramos, um dos líderes da equipe e um dos jogadores mais vitoriosos e importantes não só do clube, mas também do futebol mundial, com duas frases que tiveram muito efeito deu uma esfriada no italiano conhecido por ser tão exigente quanto arrogante.

A primeira: “Respeito se ganha, não se impõe” e a segunda foi um cruzado direto nos estudiosos táticos do futebol: “Ganhamos tudo com treinadores conhecidos. No final, a gestão do vestiário é mais importante que o conhecimento técnico de um treinador”

Bom, talvez ele tenha uma certa razão, mas não toda a razão. Sobre o respeito, estou com ele. Sobre o conhecimento do treinador, nem tanto a terra, nem tanto ao mar. Acho que no futebol atual, o conhecimento tático é muito importante, mas só ele também não ganha jogo. De nada adianta conhecer muito e não saber passar isso para o jogador, ser apenas um teórico cheio de retórica que se perde no meio das explicações.

Por mais conhecimento que tenha, é preciso simplificar a comunicação com os atletas e fazê-los acreditar no que está sendo dito. O ex-goleiro Marcos, um dos melhores que eu vi em ação e posso considerar como um amigo no futebol, dizia o seguinte: “Quartarollo, para mim técnico resolve só até o meio-campo. Tem que armar a defesa, lá na frente os caras se viram”.

É uma tese, respeito, mas Marcos na maioria das vezes em sua carreira jogou com companheiros que realmente resolviam lá na frente. Melhoravam o esquema tático porque se comprometiam e buscavam alternativas quando não estava dando certo. Hoje sinto que há muitos jogadores que só fazem o que o técnico pede e não tem nenhuma iniciativa para buscar alternativas quando não está dando certo.

Ter comando de vestiário é importantíssimo. O jogador respeita isso e também a lealdade com que é tratado mesmo quando está na reserva. O que acaba com o ambiente é técnico falso que fala uma coisa e faz outra, que tem seus preferidos e deixa os outros na berlinda. Isso é péssimo para o grupo.

Acho que se um técnico consegue fazer um time jogar do jeito que ele quer ou resolve o jogo para ele, já é um grande mérito. Um dia Gilberto Costa, ex-meia de Santos, Corinthians e campeão paulista pela Internacional, de Limeira, em 1986, contra o Palmeiras, falava sobre o técnico Pepe quando foi interrompido por um repórter que se achava um profundo conhecedor de futebol, que disse: “Esse Pepe não sabia nada”, no que Gilberto retrucou: “Como, não? O que você sabe disso? A gente jogava para ele”. E eu completei: “Quer coisa melhor do que isso para um comandante?”

Uma outra vez quando o Boca Juniors veio jogar uma das partidas da Libertadores contra o Palmeiras, em São Paulo, eu fui pela Jovem Pan ao hotel do time argentino para tentar algumas entrevistas. Lá estava na beira da piscina o excelente meia Riquelme. Perguntei se podia falar com a gente e ele disse que não costumava dar entrevista em dia de jogo, mas em off continuou batendo papo com todo mundo.

Quando subi para almoçar, entramos no mesmo elevador e quis saber: “Como é esse Bianchi, seu treinador?”. A resposta foi surpreendente: “Mas largo que entrenador”. Acho que ele pensava como Sérgio Ramos pensa atualmente. O jogador às vezes vê de uma forma mais simples do que nós vemos. É isso aí.

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