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PRESTA A ATENÇÃO NO SERVIÇO


No futebol como em qualquer atividade humana, a criatividade nem sempre é utilizada para melhorar ou reduzir problemas. As soluções para corrigir defeitos, muitas vezes aumentam o tamanho do problema. Para falar a verdade, o interesse exerce uma força motriz na criatividade de alguns da espécie humana. Na FIFA e nos chamados “velhinhos” da BOARD, que regulamentam o futebol mundial, vez ou outra surgem invenções criativas.


O VAR foi recebido como solução ou influência da tecnologia, indispensável, para solucionar injustiças dentro do campo de jogo. Lógico que a aplicação do método gerou custos e ajudou muita gente fora do campo de jogo. Porém, até seria uma ideia razoável se o VAR ajudasse mais dentro do que fora de campo. Para dar certo teria que ter regras de utilização universal. Critérios claros de uso do instrumento e não virasse muleta para arbitragem. Do jeito que está, ele só tira a responsabilidade do árbitro e cria muito mais problemas do que solução.


O VAR só deveria ser acionado por pedido do “injustiçado” em lances capitais. Exemplo, foi ou não pênalti, impedimento duvidoso e lances difíceis como bola entrou ou saiu. Colocar o VAR à critério da arbitragem é criar uma arma para a arbitragem enfrentar a todos. Parece que foi concebido para isentar arbitragem e aumentar custos. Os critérios de uso deveriam ser iguais em todo o planeta. Com cada um usando o VAR conforme dá na telha e nas mãos de quem deveria prestar atenção no serviço, virou uma esculhambação corporativista.


Para piorar, o uso foi acompanhado de novas “sugestões” ou interpretações de jogo. Exemplo, o clássico mão na bola e bola na mão, virou algo que vai acabar precisando de advogados. Inventaram uma “bula de remédio” para complicar o simples. Agora o toque da bola na mão merece tripla interpretação. Aumentou o corpo, o braço poderia ser amputado e por aí vai. A regra de impedimento ganhou o adereço do ombro. Nunca uma unha de diferença daria vantagem na disputa de bola entre dois jogadores. Era simples. Estava na frente, em vantagem, impedido. O uso do VAR no impedimento me faz lembrar um cavalo pescoçudo chegando em primeiro.


A pandemia causou danos matemáticos ao futebol. Explico. Já não dá para vender todos os jogos que eu queria num mesmo espaço de tempo. Descobriram que 365 dias e um ano bissexto de vez e quando, não permite ao vendedor colocar os mesmos produtos na prateleira. Está na cara que diminuir o número de jogos e encurtar competições era a solução mais aceitável. Não para o bolso de alguns, lógico. A solução “criativa” foi deixar cada vendedor puxar o calendário conforme seu desejo.


Sem público nos estádios, o futebol virou definitivamente um evento televisivo. A TV paga caro por um montão de quinquilharia. Sinal verde para Liga das Nações séries A, B e C. Mundial de Clubes na Lua. Fase de grupos em competições sem grande interesse. Torneio do Atlântico, do Pacífico, do Mar Morto e etc. Tudo vendido em pacote. E se a TV não comprar, vende-se o pacote direto ao consumidor. O importante é o lucro.


É desanimador. A criatividade poderia estar à serviço do futebol, não dos interesses que o cercam. Para combater erros de arbitragem, fazer caber competições no calendário, evitar polêmicas desnecessárias como interpretar lances controversos, a solução era simples. Presta atenção no serviço e deixa de vender facilidade onde não tem dificuldade.