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POR QUINZE MINUTOS DE FAMA


A frase que intitula esta coluna que, orgulhoso, transformo em minha estreia neste site, é mais antiga do que o responsável por ela, mas se aplica perfeitamente ao dantesco e vergonhoso show protagonizado pela Asociación del Fútbol Argentino (AFA), pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde deste domingo. Não vou, aqui, tomar o precioso tempo de quem me honra com sua leitura explicando o que aconteceu no Itaquerão, pois tenho certeza de que todos, a esta altura, já sabem dos fatos. Por isso, prefiro explicar-lhes por que tudo demorou tanto a acontecer.

Sendo assim, bem didaticamente, vamos aos fatos:

1 – Mesmo ciente de que quatro de seus jogadores - o goleiro Martinez, os meias Buendia e Lo Celso e o zagueiro Romero – só poderiam entrar no Brasil se cumprissem a quarentena de 14 dias imposta a todos os estrangeiros provenientes do Reino Unido (e também de outros países, como Índia e África do Sul), a AFA agiu como se não soubesse de nada. E por que agiu assim? Porque sabe que, em nosso País, sempre se tenta – e muitas vezes se consegue – arrumar as coisas. É o tal do “jeitinho brasileiro”, uma das características mais conhecidas desta Nação fora de nossos limites territoriais. Então, a entidade portenha nada mais fez senão “fazer de conta de que não era com ela”.

2 – Mesmo ciente de que os quatro atletas haviam mentido quando preencheram os formulários de imigração na noite de quinta-feira, a ANVISA não agiu de imediato e nem o mais rapidamente possível. Em vez de impedir que deixassem o aeroporto ou, pelo menos, que fizessem o check-in no hotel ou, vá lá, que saíssem para o treinamento na sexta-feira, “deixaram tudo como estava para verem como ficaria”.

3 – Mesmo ciente de toda esta situação, a CBF preferiu fazer “vistas grossas” para o problema. Em vez de se unir à agência reguladora federal dando a esta ainda mais força para agir ou, então, comunicar imediatamente à Polícia Federal que quatro integrantes da delegação argentina haviam cometido um crime ao passarem informações falsas quando de sua chegada, preferiu “fechar os olhos”, acreditando que, no Brasil, “tudo termina em pizza”.

Perceberam? Diante de todo este imbróglio, ninguém acertou. É aquele tal negócio: “Em casa que falta pão, todo mundo grita – e ninguém tem razão”.

A questão que fica é que, neste momento, o mundo inteiro faz uma única pergunta: por que o órgão que deveria impedir a entrada em território nacional dos atletas em situação irregular ou a entidade que deveria impedir que eles estivessem em campo não agiram antes da partida começar, e não apenas quando a seleção argentina já estava em seus vestiários e, pouco depois, já atuando no gramado?

E a resposta, caríssimo torcedor, é muito simples: porque todo mundo sonha em ter os seus “15 minutos de fama”.