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POLÊMICA NA HORA ERRADA


O Santos vive um momento de superação dentro de campo. Bateu o Grêmio no Brasileiro e está invicto na Libertadores. Isso acontece em meio a uma crise política com presidente afastado e um caos financeiro que pode trazer consequências esportivas e atrapalhar ainda mais o bom trabalho dentro de campo. Tem eleição próxima e não irão faltar acusações no clube pela ruína financeira. Não faltam problemas no tradicional Santos. Mesmo assim, os dirigentes arrumaram uma polêmica fora de hora, a volta de Robinho.


Robinho é um ídolo no Santos. Já foi e voltou várias vezes. Suas pedaladas despertam paixão em santistas. Duas vezes campeão Brasileiro, duas vezes campeão Paulista e campeão da Copa do Brasil. É idiotice não reconhecer o talento do jogador, inclusive na seleção brasileira onde repetiu o vai e volta do Santos. Tecnicamente um jogador acima da média, mas em final de carreira com 36 anos. Passou por grandes clubes na Europa. Venceu no Real Madrid e no Milan, mesmo sem chegar a ser o craque esperado por muitos. Seu último trabalho reconhecido foi no Atlético MG.


Ele também levou pedaladas da vida. Enquanto jogador do Santos teve a mãe sequestrada em 2004. Sua imagem sofreu o primeiro abalo quando atuava pelo Manchester City em 2009. Foi acusado de agressão sexual num clube noturno de Leeds. Chegou a ficar em liberdade sob fiança e depois a acusação foi arquivada. Na Itália em 2014 surgiu o suposto caso de estrupo coletivo contra uma jovem albanesa. Robinho foi condenado por nove anos de prisão. A lei italiana só permite a execução da sentença após a apelação.


A volta de Robinho ao Santos despertou reações. A advogada do jogador, Marisa Alija, fez sua parte em entrevista ao UOL, tentando esclarecer que o processo não terminou e que o jogador não sofre impedimento para atuar no Brasil e na Europa. Inquestionável o direito de Robinho se defender. Culpado ou inocente, quem deve esclarecer é a Justiça. Porém, o que afeta as pessoas e desperta reações, não é o andamento legitimo do processo legal. É a questão moral e a postura do Santos no assunto.


O clube promove campanha contra a violência contra a mulher nas redes sociais. Parece oportunismo quando o mesmo clube abre suas portas ao jogador, acusado não de um, mas de dois casos semelhantes. Que Robinho se defenda e prove ser inocente, mas é questionável a atitude do clube. Ao abrir as portas também abre o sarcófago de outro caso. Cuca. Treinador que hoje faz um excelente trabalho no clube, passou pelo mesmo problema quando jogador do Grêmio em 1987. Chegou a pagar multa de 8 mil dólares e quinze meses em regime aberto.


Ao promover o retorno do ídolo, o Santos abre as comportas para um debate moral. Não era necessário. Não era hora de acontecer. O possível ganho técnico com a volta do jogador, pode ser ofuscado pelo prejuízo moral e o efeito no ambiente, inclusive tirando do sarcófago o caso Cuca. Foi uma falta de sensibilidade com o time e a instituição que só poderia sair da cabeça de um fanático. O Santos tem muitos e enormes problemas para resolver. Não precisava arrumar mais um. Criou polêmica na hora errada.