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PEQUENINOS


Walmir Cruz é um dos principais nomes da preparação física brasileira. Hoje no Santos/SP, o profissional tem uma vasta coleção de títulos em diversos clubes do País e do mundo, tendo também uma importante passagem pelas categorias de base da Seleção Brasileira. Conheci aquele que há muito tempo é meu amigo em 1988, quando comecei no Jornalismo. À época, ele estava no Palmeiras e eu cobria o dia a dia do clube pelo saudoso jornal A Gazeta Esportiva. Mas foi bem mais tarde, em 2002, quando assumi a Assessoria de Imprensa do Verdão, que tive o privilégio de trabalhar ao seu lado. Um dia, cansado dos problemas que alguns jogadores causavam com declarações intempestivas aos jornalistas, perguntei a ele: “Esses caras não pensam antes de falar, não?” A resposta dele foi taxativa e, para mim, inesquecível. “Não, não pensam. Eles são apenas crianças grandes”. Lembrei-me deste fato ao ver Patrick desfilar com dois caixões de defunto decorados com as cores do Grêmio/RS, gesto que causou uma enorme confusão após o clássico de sábado, no Beira Rio, e gerou dois cartões vermelhos – um para ele, merecidíssimo, e outro para Cortez, bastante discutível. É direito de quem vence comemorar, mas há que se levar em conta dois fatores: o primeiro é que torcedor é torcedor, e jogador é jogador; e o segundo é que, por pior que esteja momentaneamente uma equipe, o respeito à sua história, seus atletas, seus aficionados e seus dirigentes deve sempre prevalecer. Ao agir como agiu, Patrick levou ao pé da letra a condição de ser “um torcedor em campo”. E é aí que está o grande erro: jogador, joga; torcedor, torce. Se os papéis começarem a se inverter, teremos um verdadeiro samba do crioulo doido, já que dificilmente um jogador sabe torcer e um torcedor sabe jogar. Neste caso, o resultado será semelhante ao que causou o meia do Internacional/RS. Se os gremistas ficaram, e com razão, azuis de tanta raiva pelo que ele fez, os colorados deveriam, a meu ver, ficar mais vermelhos de vergonha do que o vermelho das camisas que vestem. O pior, meus amigos, é que nada irá a acontecer, pelo menos até o próximo Gre-Nal. Nesse, caso Patrick esteja em campo, é certo que teremos a vingança por parte do Grêmio/RS. E uma nova confusão acontecerá, novas brigas surgirão, outros atletas serão expulsos e mais uma revanche será marcada para um clássico futuro. Ou seja: o círculo vicioso seguirá, cada vez mais violento e vergonhoso. Mas, tudo bem, certo, Patrick? Você não é responsável pelos seus atos. Afinal, como bem definiu meu amigo Walmir Cruz, você é apenas uma criança grande.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 15 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br