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PENA QUE TITE NÃO DEU UMA DE JOÃO SALDANHA

Olá amigos



Já abordamos como, hoje, a Eliminatória Sul Americana para Copa do Mundo é enganosa. Brasil, Argentina e Uruguai são sempre os favoritos. Colômbia, Equador, Chile, ora Paraguai ou Peru se revezam ou surpreendem e conseguem classificação com bons momentos.

Nesta, para a Copa do ano que vem, no Qatar, estamos na liderança e com 9 vitórias, em 9 jogos, e 27 pontos ganhos. No segundo lugar a Argentina, com 19. É passaporte certo para mais uma Copa.

Vale lembrar que ainda teremos jogos importantes contra Colômbia e Uruguai.

No duelo de Caracas, a Venezuela nos recebeu e nos deu um baita susto. Dominou o primeiro tempo, fez 1 a 0 e teve mais umas três oportunidades de gol. Não jogamos nada nessa etapa inicial. Soteldo, o baixinho bom de bola, deitou e rolou. Joga muito.

Nossa seleção foi uma decepção. Desencontrada, pífia. A zaga e o nosso goleiro Alisson evitaram uma tragédia, apesar do time estar bastante modificado – Tite fez várias mudanças para observações, aproveitando a fraca equipe adversária (rabeira com apenas 4 pontos).

Para o segundo tempo, Raphinha entrou no lugar de Éverton Ribeiro. Substituição equivocada. Do meio de campo para a frente o meia foi o único que se salvou daquele horror e acabou substituído. Poderia ter tirado qualquer outro da zona de armação, menos o flamenguista.

E Raphinha salvou a pátria do time. Jogou muito. Participou dos principais momentos das nossas jogadas de ataque. No gol de empate de Marquinhos, de cabeça, foi ele quem cobrou o escanteio. No pênalti em Gabigol, ele estava no inicio da jogada. Foi dele também o cruzamento para Antony fazer o terceiro gol.

Fabinho, Gerson, Paquetá, Gabriel Jesus e Vinicius Jr não jogaram nada. Esse um panorama geral da partida decepcionante do Brasil Agora, vamos justificar título do comentário.

Quando terminou o primeiro tempo e vi os jogadores voltando para o vestiário e a cara do Tite preocupado e até dando a impressão de estar assustado com o que vira em campo, imediatamente lembrei-me do saudoso jornalista, comentarista e grande amigo (tive essa honra) João Saldanha, que assumiu o comando técnico da seleção no dia 7 de abril de 1969.

A eliminatória para a Copa de 70 começou em 6 de agosto com vitória contra a Colômbia por 2 a 0. Tostão fez os dois gols. O segundo jogo foi contra a Venezuela, em Caracas.

Lembro que o primeiro tempo daquela partida foi igual a este duelo de 2021. Pífia exibição e 0 a 0 até o intervalo.

Saldanha, “P” da vida, esbravejando, foi para o túnel do vestiário e esperou Pelé, Tostão, Gerson e companhia. Já chiando com todos. Atletas quiseram abrir a porta, que estava fechada e perguntavam quem iria abrir a porta? Carlos Alberto nos contou.

Saldanha mostrou a chave e disse: “A chave está aqui na minha mão. E vocês vão voltar para o campo agora mesmo. Não vou dar instrução nenhuma. Para vocês jogarem esse futebolzinho que jogaram nem adianta dar instrução. Vocês voltem lá e façam o que sabem!”.

Os jogadores chiaram argumentando que estavam com sede, precisavam tomar água e ir ao banheiro e insistiram com esses argumentos. Mais “P” da vida ainda o “João Sem Medo” gritou: “Não tem água, não tem nada! Ninguém entra no vestiário. Mijem aí no túnel como sempre e voltem para o campo.

Só para lembrar: antigamente era comum os jogadores darem uma última mijadinha no túnel a caminho do campo. Hoje, como a televisão já mostra a espera antes de entrarem em campo, essa “moda” acabou. “P” da vida, os jogadores voltaram para o campo e ainda ouviram: “Os venezuelanos não jogam nada. A gente tem obrigação de ganhar por goleada”. Resultado da chamada: a Seleção deu show no segundo tempo e venceu por 5 a 0. Tostão fez dois gols e Pelé, três. O Brasil de Saldanha terminou invicto aquela Eliminatória. Um recorde que foi quebrado pela atual Seleção de Tite, que ficou devendo na atuação contra a Venezuela.


Muita saudade do João Saldanha. Numa próxima coluna, prometo, contarei outras histórias e estórias do meu saudoso amigo.


Um abraço.

Lucas Neto