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Os técnicos não gostam de crítica

Os técnicos não gostam de crítica. Eu também não, melhor ser elogiado, é mais agradável, mas há momentos que é preciso refletir e explicar bem o que se pensa para não deixar muita coisa no ar. Virou rotina não gostar de perguntas e se achar acima de todos. É claro que estou generalizando, mas vem ocorrendo em quase todas as rodadas do Brasileiro.



Uma resposta bem dada esvazia a polêmica e esclarece os fatos. Perguntar não ofende. Nesses tempos de vídeo conferência, os técnicos e os entrevistados em geral, se sentem mais à vontade. Não tem mais o saudável olho no olho e nem a perspicácia do repórter para tirar uma dúvida de uma frase jogada no meio da resposta enviesada. Não há como, não há réplica e nem tréplica. As perguntas são feitas antes e se o Assessor de Imprensa quiser pode escolher as "melhores" para o seu técnico ou então avisa-lo a tempo de se preparar para responder.



Não é culpa dos treinadores, nem dos assessores, é a necessidade dos novos tempos de Pandemia para evitar aglomeração e uma forma para que pelo menos os torcedores possam ter contato com a palavra dos entrevistados. Mas com tantas Redes Sociais e Lives, os dirigentes, técnicos e jogadores, acham que falando numa rede diretamente com o torcedor já cumpriram a missão. Nada mais chapa branca e superficial. Pois ali tudo é belo e sem questionamento e quando há questionamento via de regra é sem base e mal-educado.



Vanderlei Luxemburgo rotineiramente reclama das críticas e tem feito das entrevistas um palanque de suas reclamações mesmo quando ganha. Aliás, quando ganha é pior, se sente no dever de lembrar que é muito bom e que os críticos não sabem nada. Desqualifica as críticas, mas exalta os elogios se esquecendo que criticas e elogios partem da mesma pessoa que analisa o seu trabalho. Parece que só vale quando é a favor.



Ontem Jorge Sampaoli se estressou porque foi perguntado sobre a utilização do lateral-esquerdo Fábio Santos, jogador consagrado em várias equipes e inclusive no Atlético-MG, mas que hoje é reserva de Guilherme Arana. Disse que a pergunta era tendenciosa. Nossa, o que muda para o repórter se joga um ou outro? Tendenciosa para quem? Para o treinador?



Um dia um técnico do São Paulo reclamou com Marco Aurélio Cunha que a imprensa enchia muito o saco, que perguntava demais e queria saber de tudo. Por que ele tinha que falar com a imprensa? O seu patrão era o São Paulo? A resposta foi lapidar: "Se você fosse treinador do Ararinha da Serra ninguém iria querer saber de você, mas você é treinador do São Paulo, tem um salário invejável e tem que se explicar sim para a imprensa e para a torcida. Já está no Pacote. Se não quiser é melhor procurar um time sem nenhuma repercussão que ninguém vai mais te encher o saco. Que tal?"



Recado dado e anotado. Certo?