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Os Jorges são os técnicos mais "jovens" do Brasil.

Os Jorges são os técnicos mais "Jovens" do Brasil. Mas estão na faixa dos 60 anos. Jorge Jesus tem 65 (completa 66 no meio de 2020) e o outro, o Sampaoli, tem 59 (completa 60 em março). Fizeram um trabalho brilhante em pouco tempo dentro dos seus estilos de posse de bola, ataque total, triangulações e fome de vitórias.



Não por acaso o Flamengo de Jesus é campeão brasileiro e da América. Não por acaso com menos investimento, o Santos fez uma campanha invejável e se despediu goleando justamente o Flamengo. Tem muitos técnicos brasileiros bem mais jovens mas que parecem mais velhos. Afinal, a inovação e a renovação estão na cabeça e não no tom "professoral" de alguns ditos novos treinadores.



O que ambos fizeram de diferente? Talvez só tenham nos mostrados que o nosso passado precisa estar mais presente. O que o Flamengo fez em inúmeras partidas e o que o Santos fez na maior parte do tempo foi o que o futebol brasileiro fazia, guardadas as devidas proporções, nas décadas de 60/70/80, quando aqui se jogava muito bola e por isso era mais respeitado pelo Mundo.



Muitos técnicos apareceram nessa década e mostraram o mesmo medo de atacar de outros. Se falou muito mais em tática do que em bola. Treinos mais para marcação do que para marcar o gol. Perdemos nossas referências técnicas e de habilidade. Tentamos nos Europeizar, se é que essa palavra existe, e ficamos no meio do caminho entre a condição física excessiva e a falta de qualidade com a bola. Virou o futebol de resultado e o futebol da prancheta, se esquecendo que o resultado vem com futebol bem jogado.



Vieram times hermeticamente fechados e novos técnicos com velhas ideias. Foi necessário que dois caras na curva dos 60 anos e amantes do verdadeiro futebol brasileiro mostrassem que é preciso aproveitar o que temos de melhor. A categoria e a ginga dos brasileiros. Como diz o genial Tostão, ex-jogador extraordinário técnica e taticamente, nós precisamos aprender que o acaso é que decide o jogo e não treinamos para o acaso. Somos repetitivos, mas não surpreendentes como seria a escola brasileira desde sempre não fossem os modismos importados e apoiados por grande parte da imprensa que se diz especializada.



Apesar de todos os desmandos presentes no futebol brasileiro, prova-se mais uma vez que com alguma organização e bom futebol no campo dá para jogar bem e vencer dando espetáculo. O manancial brasileiro parece interminável. Continua produzindo bons atletas. Às vezes surgem alguns muito acima da média, mas a média ainda é muito boa e superior as escolas ditas de primeiro escalão.



Eu acho que há técnicos com qualidade no Brasil, mas eles também são reféns da nossa realidade fria que rifa um trabalho por qualquer resultado. Hoje os números contam muito para as finanças do clube. Não se joga mais futebol apenas para se divertir, por lazer ou para competir. Hoje o capitalismo chegou ao futebol. Se não der lucro, você está fora. Mas esperar um pouco mais, dar tempo ao trabalho, entender as necessidades, também é investimento. Trabalhar a médio e longo prazo é um sonho para qualquer profissional.



Será que haverá alguma mudança para 2020?