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OS AUTÓGRAFOS DE PELÉ


No próximo sábado, 23/10, Édson Arantes do Nascimento completará 81 anos. E ainda que recentemente tenha assustado o mundo devido a problemas de saúde, o Rei segue firme e forte, dando mostras de que ainda por muito tempo nos brindará com sua presença e seu talento.

Em minha carreira profissional, entrevistei o agora octogenário Pelé três vezes: a primeira em 1989, durante um torneio internacional organizado pelo narrador Luciano do Valle que contou com a participação de grandes craques do passado; a segunda quando ele era "comentarista" de uma emissora de TV durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994; e a terceira na época em que comandava o Ministério dos Esportes do Governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995. Mas foi em nosso primeiro encontro que se deram as histórias que dividirei com vocês agora e que, creio, mostrarão a todos como é o cara no que diz respeito à sua forma de tratar os fãs.

Assim que terminou a entrevista coletiva no Salão Nobre do Pacaembu, um mundo de jornalistas se aproximou de Pelé para tirar uma foto e/ou pedir um autógrafo. Afinal, embora fôssemos todos profissionais, não era a toda hora que tínhamos a chance de estar frente a frente com o Rei do Futebol. Um colega da Imprensa mineira foi mais ágil do que todos e, de bloquinho na mão, dirigiu-se até ele pedindo para que assinasse o pedaço de papel. O problema é que a caneta do tal repórter falhou, e então se deu o seguinte diálogo entre ambos:

_ Amigo, esta caneta não está funcionando..., disse “o” 10, o que evidentemente levou ao desespero o jornalista. Aos berros, ele implorou:


_ Pelo amor de Deus, alguém me empreste uma caneta!!!


Pelé, então, olhou tranquilamente para ele e falou:


_ Calma, companheiro. Eu não sou jornalista, mas também tenho uma caneta, soltando em seguida uma sonora gargalhada.


E, tirando do bolso esquerdo de seu luxuoso terno uma dourada e reluzente Montblanc, assinou o papelzinho amarrotado.


Imediatamente atrás do radialista de Minas estava este cronista, então com apenas 21 anos de idade e pouco mais de seis meses de carreira. Eu também queria que o Atleta do Século me desse um autógrafo, só que, no meu caso, não seria apenas um, mas sim dois. Explico: na época, tinha dois sobrinhos ainda bebês e queria que cada um tivesse a sua própria lembrança. Mas como pedir a Pelé, em meio àquela gigantesca confusão e, ainda por cima, diante do problema da caneta anterior, que me assinasse dois papéis? Nem a pau que ele iria topar, pensei. Assim, humilde, cheguei a ele e disse:


_ Pelé, por favor: dedique este autógrafo ao Bruno e ao Gustavo.


_ Mas é para o Bruno ou para o Gustavo?, me perguntou.


_ Você pode escrever os nomes dos dois. Depois, eu tiro um xerox do original e dou a cópia para um deles.

Para minha enorme surpresa, o cara me disse o seguinte:


_ Olha, vai por mim. É melhor eu dedicar um autógrafo ao Bruno e outro autógrafo ao Gustavo. Senão, é certo que vai dar briga depois, entende?


E, por mais incrível que possa parecer, foi exatamente isso o que aconteceu.


Hoje adultos, tanto Bruno quanto Gustavo ainda têm os dois autógrafos muito bem guardados. Obviamente amarelados pelo tempo e com a tinta já bem fraquinha, é verdade, mas mesmo assim com a assinatura do melhor jogador de futebol que este mundo já viu.

Ou verá.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 15 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br