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Oportunismo e crise na Argentina


Oportunismo e crise na Argentina, o efeito da pandemia no futebol local. A AFA ( Associação de Futebol Argentino ), a CBF deles, anunciou o término da temporada nesta semana. A Superliga já havia terminado com o Boca campeão. Restavam as competições pós torneio nacional, Copa da Superliga e Copa Argentina. Até aqui, nada de espetacular. Porém, os dirigentes sempre possuem uma carta na manga. Para amenizar os efeitos da crise econômica, resolveram decretar que na próxima temporada, não haverá rebaixamento na Superliga.


O efeito do anúncio foi abrir uma ferida com os jogadores e provocar uma reação. Sem rebaixamento, os clubes deverão competir com jogadores das categorias de baixo. Não há risco de queda e nem motivo para contratar ou pagar salários aos jogadores mais experientes. Muitos clubes estão cheios de dívidas e com salários atrasados. A decisão da AFA não combate a pandemia, foi feita para combater a crise econômica dos clubes. A decisão foi um golpe nos salários atrasados e no mercado de trabalho para os atletas. Até ameaça de greve foi ventilada pelos jogadores.


Foi mesmo um golpe. Com a pandemia como justificativa e com a crise econômica envolvendo os clubes como fundo, alteraram a regra do jogo. É fácil de entender. Tudo já está praticamente resolvido no futebol argentino. Superliga finalizada, as Copas restantes podem ser contornadas e critérios para apontar clubes nas competições da Conmebol, poderão ser técnicos com base no encerrado torneio nacional. Incluir não rebaixamento na próxima temporada, não terá efeito sobre a pandemia.


Vai mesmo possibilitar aos clubes, conter despesas com elenco e justificar atrasos e encerramento de contratos. A decisão ajuda sim aos clubes, mas vira uma bomba para os jogadores de clube menores, que lutam por manter-se na primeira divisão. Restringe o mercado de trabalho aos mais experientes e escancara a porta para os mais jovens. O efeito será uma competição onde três ou quatro brigam pelo título e os demais só cumprem tabela. Uma medida oportunista para aliviar a conta do futebol.