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O segundo gol do Santos e a ajuda de Pelé


Foi no jogo de despedida do Garrincha, em 1973, no Maracanã. A Seleção Brasileira enfrentou um combinado de jogadores estrangeiros.

Alguns deles atuavam no Brasil, Forlan entre eles.

Pelé, em final de carreira – já não jogava mais pela Seleção Brasileira e se despediria do Santos um ano depois, antes de atuar pelo Cosmos -, era a outra grande atração da noite, além do homenageado Garricha, é claro.

Pelé, deslocado pela direita, Garrincha já havia deixado o gramado, recebeu um lançamento de Clodoaldo.

Quem via o jogo pela televisão ou estava no estádio, teve a certeza absoluta de que a bola sairia pela lateral.

Pelé não pensou assim.

Com um lindo movimento de corpo, esticou a perna direita e evitou que a bola saísse de campo.

Amorteceu a bola no calcanhar e, com ela dominada, foi em direção à defesa da equipe adversária.

Foi aplaudido pelo público que lotou o Maracanã para o adeus ao Mané.

O narrador Peirão de Castro, da TV Gazeta, santista que era, não resistiu à mais uma jogada de gênio de Pelé.

“Meu Deus do céu. E infelizmente este gênio está em final de carreira”, afirmou, emocionado.

Neste mesmo jogo amistoso, Pelé driblou a defesa toda do selecionado estrangeiro e marcou um golaço.

O lance me veio à memória ao ver a imagem do segundo gol do Santos, na vitória sobre o Grêmio, na Vila Belmiro, neste domingo, 20/9.

João Basso, zagueiro do Santos, deu um chutão para a frente. Jogadores das duas equipes, o público presente ao estádio e quem estava em casa vendo o jogo pela televisão também, como na despedida do Mané, tiveram a certeza absoluta de que a bola sairia de campo.

Não saiu.

Teimosamente, a bola, certamente por causa do efeito, bateu em uma saliência do gramado da Vila e continuou em jogo.

Percebe-se que o técnico Diego Aguirre suplica para que os jogadores do Santos dessem prosseguimento ao jogo.

E foi o que o colombiano Mendonza fez.

Em velocidade, bem ao seu estilo, invadiu a área do Grêmio e, com o pé esquerdo, de três dedos, deixou Soteldo livre.

O venezuelano poderia até ter feito o gol.

Mas preferiu deixar Julio Furch livre para marcar o gol da vitória santista.

Um gol redentor.

Que não tirou o Santos da zona de rebaixamento, mas deu moral ao time para seguir em frente na luta para não ser rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.

O corpo de Pelé está enterrado a poucos metros da Vila Belmiro.

Teria sido o Rei Pelé, que morreu dia 29 de dezembro do ano passado que, de seu memorial, no Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, resolveu ajudar o seu time de coração?

Teria a saliência no gramado da Vila Belmiro sido inspirada pelo Atleta do Século para tirar o seu Santos do sufoco?

O fato é que, assim como a ‘matada’ de calcanhar de Pelé na despedida do Mané, o desvio feito pelo desnível do gramado da Vila, foi uma jogada de gênio.

Digna do Rei Pelé.


Wladimir Miranda cobriu duas copas do mundo (90 e 98). Trabalhou nos jornais Gazeta Esportiva, Diário Popular, Jornal da Tarde, Diário do Comércio e também na Agência Estado. Iniciou no jornalismo na Rádio Gazeta. Trabalhou também na TVS, atual SBT. Escreveu dois livros,de grande aceitação no mercado editorial: O artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa e Esconderijos do futebol.

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