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O SANTOS DE HOJE É O PALMEIRAS DE ONTEM


Quem estuda a história do futebol, e dentre estes abnegados encontra-se este colunista, sabe que o futebol é cíclico. Em outras palavras: sempre que o time “A” está bem, a equipe “B” está mal – ou quase isso. Por isso, é impressionante como Santos de hoje faz lembrar o Palmeiras de ontem.


Indiscutivelmente atual quarta força do futebol paulista, e correndo o sério risco de ser ultrapassado nesta posição pelo Bragantino (se é que já não o foi, dados os desempenhos de ambos os times nos últimos anos), o Peixe mais uma vez cumpre uma campanha ridícula no Campeonato Paulista, correndo o risco de ser eliminado ainda na Primeira Fase, como ocorreu na temporada passada ou, até mesmo, de amargar um rebaixamento à Série A-2 do Paulistão de 2023.


Isso me fez recordar os tempos da “fila” palmeirense e, mais especificamente, os torneios da década dos 80. Naquele período, o hoje todo poderoso Verdão teve desempenhos que arranharam profundamente sua gloriosa história, responsáveis inclusive pela ausência da equipe na elite de dois Campeonatos Brasileiros – em 1981 e 1982 – porque seus resultados no torneio regional não foram suficientes para lhe garantir uma vaga na principal divisão do futebol nacional.


Um detalhe em comum entre aquela equipe de Palestra Itália e o atual time da Vila Belmiro é que ambos viviam péssima fase financeira, e por isso montavam elencos de qualidade técnica indiscutível – no aspecto negativo, claro. Então, por mais que se esforcem, por mais que se dediquem em campo, a verdade é que os jogadores santistas não podem entregar mais do que aquilo que têm, e como o que têm não é muita coisa fazem sua torcida viver agora o que a galera palmeirense viveu quase quatro décadas atrás.


Na próxima quinta-feira, o Santos fará um jogo atrasado diante da Ferroviária fora de casa. Se vencer, escapará matematicamente da chance de ser rebaixado e poderá até mesmo se classificar às quartas de final do Paulistão (para que vocês vejam o quão esdrúxulo é o regulamento da competição). Se empatar, terá de ganhar sua última partida, contra o Água Santa, no Urbano Caldeira, para não apenas escapar como também ter alguma chance de seguir na luta pelo título sem depender de outros resultados. Mas, se perder, chegará à rodada final da fase de classificação com a corda no pescoço, dependendo de uma vitória para não pagar o maior risco de sua história.


Como se vê, o Santos/SP de hoje é o Palmeiras/SP de ontem. E isso não tem sido apenas uma mera coincidência.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br