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O maldito bendito VAR quer apitar o jogo


Por muito tempo se discutiu a justiça que a tecnologia poderia trazer para o futebol, cujas regras básicas ainda são do fim do século 19 ou quase isso. Muita coisa mudou e o jogo ficou mais veloz. Houve uma época que não havia substituição e nem cartões de advertência. As coisas foram evoluindo e se adaptando às novas situações. É assim em vários segmentos. Os aviões que cruzam os céus nem de longe se parecem com o 14 Bis de Santos Dumont, mas o princípio é o mesmo. Eu estou aqui falando com vocês nessa nova ferramenta de contato jornalístico, mas o básico, o princípio é o mesmo. Até pode valer a velha frase do meu falecido pai: "Depois que alguém abre a picada na mata fechada qualquer um pode passar e se vangloriar por ter passado".



O futebol ainda é jogado por seres humanos, mas cada vez mais querem robotiza-lo. Não é um vídeo game, mas muita gente pensa que é em nome de uma justiça questionável. A maior discussão se deu por gols mal anulados por toda a história, impedimento mal marcados e assim por diante. Sempre defendi que a parafernália eletrônica seria um recurso de ajuda ao árbitro, mas o que se vê é que o VAR quer apitar o jogo deixando em segundo plano o árbitro de campo.



Quem sente o jogo e a intenção do jogador é quem está no gramado, não quem está numa cabine confortável com ar condicionado, cafezinho quente e lanchinho à disposição. Sem falar que o VAR no Brasil é péssimo. Por isso ninguém daqui foi aceito pela Fifa para a Copa do Mundo do Qatar, no fim do ano. Aqui o VAR além de querer apitar o jogo também inventou novas regras a seu bel prazer. Jogador vai ter que atuar com camisa de força, ou cortar o braço, para se defender. Eles vêm pênalti em tudo e às vezes os pênaltis mais claros deixam passar. Parece que querem aparecer de qualquer jeito.



O VAR é bem-vindo quando realmente ajuda o árbitro, mas ultimamente tem mais atrapalhado que ajudado. Todos os times já foram ajudados e prejudicados. No fim parece que fica no 0X0, mas não fica, não. Desequilibra jogos e o Campeonato, atrapalha técnicos e jogadores e também os torcedores. Acaba sendo injusto em nome da justiça do jogo.



Aconselho a Dona CBF e ao presidente da Comissão de Arbitragem, Wilson Luiz Seneme, a formar equipes só para trabalhar no VAR. Enquanto se misturar árbitro de campo e de VAR vai continuar um querendo se sobrepor ao outro e às vezes um se submetendo ao outro por medo ou por ter menos nome daquele que está na cabine ou no campo. Já que existe essa nova função, e veio para ficar, se defina de vez quem é quem e acabem com essa mistura indigesta. Acho que ajudaria muito o Maldito Bendito VAR.