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O GALO ENDOIDOU


O Atlético Mineiro está rompendo com a lógica no futebol brasileiro. Em meio a pandemia e cercado do caos financeiro que envolve o futebol, com ausência de público e patrocinadores em baixa, não para de anunciar loucuras. A volta de Hulk ao Brasil, aos 34 anos, parece se a cereja do bolo num projeto arriscado que acena com mais contratações e com estádio próprio em 2022. Quando vejo isso, lembro do Cruzeiro, rival direto e que por muito menos, mergulhou no buraco.


A ideia de fazer o Galo alcançar outro patamar, ganhar peso nacional e internacional, é uma ambição justa, mas leva tempo. Apostar alto para encurtar o caminho é arriscado. Mesmo com Ronaldinho Gaúcho e com a Libertadores 2013, o saldo não foi sustentável. Foi ótimo, impulsionou o título da Copa do Brasil 2014. Títulos mais importantes do Galo, que é rei em Minas Gerais, mas não ganhava nada de destaque nacional desde 1971, único brasileiro.


A chegada de Jorge Sampaoli e um montão de reforços, ainda não surtiram o efeito esperado. O Atlético MG vai estar na Libertadores 2021, mas ainda pena para disputar título. Imagino que exista garantia de aporte financeiro e dos bons. Não iriam colocar o rei do cheque, Alexandre Mattos, nem apostar em Rodrigo Caetano como gerentes, sem dinheiro. O Galo anda ciscando longe com projeto de estádio próprio e alto investimento. Tomara dê certo, mas tenho receio de uma bolha e lembro que futebol não é ciência exata. Dinheiro aumenta a chance de sucesso, mas não garante vitória.


Hulk, por exemplo, é uma contratação arriscada. Bom jogador, lógico, superior a qualquer atacante atual do time. Porém, só fez dois jogos pelo Vitória no futebol brasileiro, vem da China após 16 anos de futebol europeu e desembarcou de avião próprio. Não joga desde novembro e todo brasileiro que volta de China, demora para ajustar. Mesmo livre no mercado, é investimento de risco. Com 34 anos não vai render lucro financeiro. É aposta alta para rendimento técnico.


Não para aí. O Atlético Mineiro sonda Nacho Fernandez, 31 anos, meia atacante do River Plate. Na Argentina especula-se 6 milhões de dólares pelo jogador. O Galo acertou a compra de Hyoran do Palmeiras, que deu bons indícios quando estava emprestado. Soma-se a conhecida febre de Sampaoli por reforços e nada será definitivo na folha salarial do clube. É um investimento insano num momento de crise.


Não sou contra sonhar alto, montar grandes times, buscar títulos e fortalecer o clube. Muito pelo contrário. Porém, acho que quando jorra dinheiro no futebol, as coisas devem ser transparentes. Não se trata de buscar, somente, origem do dinheiro. É buscar responsabilidade e que não aconteçam bolhas como no rival Cruzeiro. Com responsabilidade, sonhar alto é dever de todos. Por enquanto, me parece que o Galo endoidou.