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O FUTEBOL NÃO TEM MAIS MEIA. SÓ TEM MEIA BOCA

O Futebol não tem mais meia. Só tem meia boca. Há um deserto no meio-campo do futebol brasileiro. Os meias cerebrais, pensadores, organizadores com passes milimétricos e carimbadores das principais jogadas do time não existem mais. Alguns até lembram em algumas jogadas esse passado cada vez mais distante, mas a maioria tem que ser volante/meia/atacante simultaneamente e fazer o jogo gira com maior rapidez possível.



Muitos dizem que aquele meia que aquietava o jogo, que dava o ritmo ao time, não cabe mais no futebol atual. Chegam a cometer a heresia de dizer que um Ademir da Guia, um Gerson, um Rivelino, um Didi, não conseguiriam jogar hoje. Acho bobagem. Jogariam hoje adaptados aos novos tempos, com certeza, e com a categoria imensa que tinham dariam o tom do jogo. O bom é bom sempre. O problema é que hoje se corre mais futebol do que se joga futebol. Esses caras se aproveitariam dessa correria desenfreada para descobrir os espaços e ter qualidade nos passes mais avançados. Estavam muito à frente do seu tempo.



Hoje olhamos para os grandes times e quase todos reclamam que falta alguém para municiar com qualidade o atacante. Luxemburgo expôs isso no último jogo do Palmeiras. Falta alguém para colocar uma bola boa para a finalização de Luiz Adriano. Mas quem seria esse cara? Tem? Hoje se formam muitos jogadores de lado (antes eram chamados de pontas) goleiros, zagueiros e laterais no futebol brasileiro. São jogadores tipo exportação. Por isso de vez em quando a gente vê que um medíocre consegue jogar em algum time da Europa e dizem que ele é bom. Na verdade é apenas funcional, é apenas coadjuvante. Os protagonistas brasileiros estão em extinção.



Tem muito meia boca jogando junto e isso empobrece o futebol do nosso país. Dos times da Série A pensando rapidamente talvez só Rodriguinho, do Bahia, lembre um pouquinho o que um meia de qualidade deve fazer. Se lembrar de outro pode acrescentar na conta. Aqui, em São Paulo, Luan, do Corinthians, Lucas Lima, Scarpa e Ramirez, do Palmeiras; Daniel Alvez, no São Paulo e ninguém no Santos, conseguem mostrar algo como um verdadeiro meia. Eles parecem que são, mas não são. Que falta faz um Cilinho, um Zé Duarte, um Pupo Gimenez, um Ladeira, um Telê Santana e aqueles técnicos lá do Interior que explicava didaticamente o jogo e diziam: "Quem tem que correr é a bola, você faz ela correr. Não se desgaste à toa. Não corra futebol, jogue futebol".



Talvez eu esteja sendo muito precioso, ou rigoroso, com esses jogadores atuais, talvez também saudosista, vai saber, não é? Mas é que eu gosto de ver futebol e ver quem sabe jogar futebol. Fui acostumado assim e fiquei muito exigente. O que posso fazer? Vida que segue.