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O dia em que, xingado, Pelé dá um soco no adido militar do Brasil


Segundo semestre de 1969: O Santos está em um hotel de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Horas mais tarde vai realizar mais um daqueles milhares de jogos amistosos que o clube fazia no exterior, para aproveitar o prestígio que aquele mágico time construiu no mundo. A equipe havia passado por uma reformulação, após a aposentadoria de Gylmar, Mengálvio, Zito, Dorval, Pepe..

Mas como sempre tinha grandes jogadores em seu elenco, principalmente porque grande parte de sua renda mensal vinha das cotas, em dólares, que ganhava em jogos de exibição pelo mundo, ali naquele hotel da cidade boliviana estavam estrelas como Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias, Clodoaldo, Rildo, Toninho Guerreiro, Edu, Abel... E, claro, Ele, Pelé, ainda em grande forma e que, junto com Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Clodoaldo e Edu, brilharia na conquista da Copa do Mundo de 70, na Itália. Os astros santistas jogavam baralho no hall de entrada do hotel. Pelé não estava jogando. Estava ali com os demais jogadores esperando o tempo passar. Na gíria dos boleiros, era uma resenha sem nenhum compromisso. Foi quando apareceu um homem e se identificou como adido militar do Brasil. Estava acompanhado por dois filhos menores de idade. O homem foi direto falar com Pelé. Pediu autógrafo para ele e as crianças. Pelé respondeu que naquele momento não poderia dar os autógrafos. E que o homem, por favor, esperasse no lado externo do hotel, onde outras pessoas esperavam para conseguir a assinatura do Rei e cia em seus cadernos, camisas. Outros tempos, o celular ainda não existia. O homem não gostou. Escorado pelo seu posto de adido militar do Brasil, passou a xingar o Pelé. O Rei foi xingado de macaco, filho da puta...O sujeito colocou para fora todos os seus preconceitos, suas frustrações. Pelé ficou furioso. E partiu para cima do desafeto. De calção, sem camisa e de chinelos, Pelé começou a pular na frente do adido militar e deu-lhe um direto na cara. Com os chinelos nas palmas das mãos, o Atleta do Século parecia que estava no Pelourinho ou em qualquer outro ponto turístico de Salvador dando uma exibição de capoeira. Assustado, o adido militar tratou de dar o fora. Meia hora depois, o adido militar voltou. Arrependido pela baixaria e por ter sido tão mal educado e, principalmente, preconceituoso com o Rei do Futebol, ele pediu desculpas. E perguntou se Pelé ainda podia dar os autógrafos que ele e os filhos queriam. Pelé aceitou as desculpas e disse que daria os autógrafos. Mas só depois que atendesse a todos os outros torcedores que estavam do lado de fora, também em busca de sua assinatura e a dos demais jogadores santistas. Conto esta história neste 29 de março de 2023, três meses da morte do cidadão Edson Arantes do Nascimento. O Edson morreu, Pelé vive. Pelé é eterno.

Wladimir Miranda cobriu duas copas do mundo (90 e 98). Trabalhou nos jornais Gazeta Esportiva, Diário Popular, Jornal da Tarde, Diário do Comércio e também na Agência Estado. Iniciou no jornalismo na Rádio Gazeta. Trabalhou também na TVS, atual SBT. Escreveu dois livros,de grande aceitação no mercado editorial: O artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa e Esconderijos do futebol.

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