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NO OLHO DO FURACÃO


O Athlético Paranaense anunciou a chegada de Luiz Felipe Scolari ( Foto - @AthléticoPR), 73 anos, treinador campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002 e com carreira de sucesso inquestionável, para o cargo de diretor técnico e treinador. Seria uma notícia positiva, se o Athlético estivesse numa suave brisa na temporada. Porém, a chegada de Felipão está mais próxima do cargo de bombeiro. O clube já trocou de treinador duas vezes em menos de um mês e gastou uma fortuna para montar um elenco que até agora não rendeu.


Para piorar o quadro, o cargo oferecido para Felipão de responsável pelo futebol do clube, foi recentemente ocupado por Paulo Autuori, outro treinador de sucesso e não deu certo. A carta branca de Autuori no futebol acabou ao ser cobrado pelo desempenho baixo do time de aspirantes no Campeonato Paranaense. Disputar a competição estadual com aspirantes é uma das ideias geniais do todo poderoso Mario Celso Petraglia, uma espécie de “dono” do clube. Quando os resultados não batem com a genialidade do dirigente, o sonho acaba com desentendimentos e demissão.


Autuori fez o mesmo papel oferecido à Felipão, diretor técnico com obrigação de bombeiro para dirigir o time no campo de jogo em caso de necessidade. Ricardo Gomes, outro treinador, ocupou o cargo de diretor de futebol e pediu demissão junto com o chefe. O plano Petraglia de gestão do futebol fez água e Alberto Valentim, campeão da sul-americana, foi demitido após sofrer goleada para o São Paulo na abertura do Brasileiro, após 28 jogos (8 vitórias, 8 empates e 12 derrotas). Outra vítima foi Lucho Gonzalez, ex-jogador, chegou para fazer carreira como técnico e não suportou a pressão.


Hoje, Petraglia tem como colaborador no clube, Alexandre Mattos. Não é pura coincidência, foram feitos investimentos enormes na contratação de reforços no elenco. Três das maiores contratações da história do clube (Vitor Roque do Cruzeiro, Canobbio do Uruguai e Cuello do Bragantino). Sem contar com Dedé, Orejuela, Matheus Fernandes, Hugo Moura, Marlos, Vitor Bueno, Marcelo Cirino, Vitinho e Pablo. Eles sonhavam com Cuca para comandar a tropa, aceitavam Sylvinho e trouxeram Carille, que durou inacreditáveis 21 dias no cargo.


O verdadeiro Furacão do Athlético Paranaense é seu dono, Mario Celso Petraglia. Sim, ele reconstruiu o estádio Joaquim Américo, transformou o estádio numa Arena moderna, deu nome de patrocinador à Arena e como sempre, desistiu no meio do caminho. Modernizou as marcas do clube (uniforme e escudo), enfiou um H no nome do clube, foi campeão várias vezes, mas é mesmo reconhecido como uma espécie de Eurico Miranda de Curitiba. Suas ideias e seus métodos, nem sempre são questionados.


Como quem manda no clube é Mario Celso Petraglia e suas “brilhantes” ideias sofrem com a mudança dos ventos, estar ao lado do Doutor Petraglia nem sempre é garantia de sucesso. Felipão conhece os métodos do todo poderoso, conhece o atual, mão direita, Alexandre Mattos, e será recebido com flores para o projeto “Família Scolari na Baixada”. Tomara o ótimo Felipão consiga dar direção à ventania de contratações e expectativas que o clube gerou. A pressão será grande. Temo que o experiente treinador tenha entrado no Olho do Furacão.