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Não tenho nada para dizer nesse domingo Pandêmico

Não tenho nada para dizer nesse domingo Pandêmico. Tinha que escrever um texto na sexta-feira. Deixei para ontem e hoje chegou. São 99 dias enclausurado nesta Pandemia. Faz parte. Que reprise você vai ver hoje? Qual LIVE você quer assistir? O mundo parece que parou. Pior, andou para trás. Vivemos mais do passado do que do presente. Futuro só depois do Coronavírus, mas o desgraçado parece que ainda vai demorar para ir embora.



Hoje com esse friozinho, em São Paulo, seria bom ir a um Restaurante, comer uma massa, tomar um bom vinho. Depois uma deliciosa sobremesa, um cafezinho, talvez um passeio por algum lugar bonito à tarde ou arriscar aquela soneca antes do jogo das 4. Estamos sentindo falta de coisas simples. Como andar, almoçar, jantar, conviver com os amigos, abraçar, beijar e ficar em casa por escolha própria, não por escolha do vírus. Coisas baratas que valem tanto. São impagáveis porque não tem preço. É a vida acontecendo.



Nesses tempos de confinamento nos descobrimos mais também. Aprendemos a ser pacientes. É preciso aprender a conviver com os próprios defeitos e com os defeitos dos outros. A convivência exacerba as virtudes e também os defeitos. A vida passa mais lentamente. Não precisa correr tanto. Todos os dias tem a mesma cara. Estamos como no filme em que Bill Murray fica preso num dia só no "Feitiço do Tempo".



Assim como ele se tornou uma pessoa melhor descobrindo coisas diferentes no mesmo dia, essa também é nossa árdua missão. Mas confesso e acho que você que está lendo esse texto vai me dar razão: "Tem hora que enche o saco" e daí o que a gente faz? Esvazia o saco para encher de novo em outro dia. Todos têm direito a pelo menos um dia ruim, o que não pode é arruinar a vida toda por um dia.



Estou pensando nas reprises que posso ver hoje. Como vivo tentando falar de futebol, entre outras coisas, descobri que o futebol brasileiro voltou a ser vencedor na Pandemia. Só tem reprise de vitória e mais vitórias. Ganhamos tudo. Esses dias, no entanto, no YouTube, vi uma derrota do Brasil para a Argentina, 2x1. Pelé estava em campo e por incrível que pareça jogando mal. Errava tudo que tentava. Só acertou um chapéu no meio-campo.



Mas uma coisa me chamou à atenção. Tentou pela direita, pela esquerda, pelos lados, pelo meio, por cima, por baixo, voltou para buscar a bola, tentou ajudar a fechar espaços e a marcar, não desistiu um segundo enquanto o jogo foi disputado. Talvez soubesse que não era o seu dia, mas procurou algo mais, um atalho que fosse para fazer o jogo fluir. Jogador assim é raro. Por isso era Pelé.



Vi também os jogos da Copa de 1962 na íntegra. Era um outro futebol. Mais lento, menos tático, mais técnico e com uma virtude extraordinária. Jogava para o ataque, buscando o gol sempre. Também desmentiu o fato de que não se marcava. Não era aquela marcação pegajosa de hoje, mas havia preenchimento de espaços e encurtamento de distância para os adversários. Enfim, a Pandemia em algumas situações está reescrevendo a história.



Bom, mas como eu disse lá no começo. Tenho pouco para falar. Hoje é mais um dia para ninar. Frio, ameça de chuva, desesperança na política, na economia e no futebol. Amanhã é outro dia. O centésimo de confinamento. Que traga novas esperanças e novos fluidos. Quer saber? Agora vou fazer como a Nina, nossa Cadela de estimação, na verdade já virou filha faz tempo. Vou para debaixo das cobertas que lá fora o Mundo está bem estranho.