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Missão impossível


Missão impossível, é o mínimo que imagino para o presidente eleito do Cruzeiro, Sergio Santos Rodrigues ( Foto – Divulgação ), advogado, 37 anos e escolhido para um mandato tampão até o final do ano. Ele assumirá para encerrar o mandato do rival Wagner Pires de Sá, para quem perdeu a eleição anterior. Vai encontrar na mesa da presidência do clube uma série de dívidas impagáveis, uma crise política, punições da FIFA, um time rebaixado para a série B nacional e investigações no Ministério Público e Polícia Civil.


São tantos os problemas que só um psiquiatra poderia entender o motivo de um sujeito arriscar tanto para presidir o Cruzeiro. O fato, Sérgio Santos Rodrigues, nem tempo terá a seu favor para recolocar o trem azul no trilho. Tem outra eleição marcada para outubro para o próximo triênio e a obrigação natural de ser candidato. Ele recebeu 76 % dos votos válidos para encarrar a briga. Foi quase uma vingança por perder a eleição anterior. Só faltou um pedido de desculpas por parte dos conselheiros.


O quadro é devastador. Politicamente o clube está em ruinas. Vários conselheiros foram acusados de participarem da farra promovida pela gestão anterior. Torcedores organizados também. O clima de tensão na eleição com cusparadas em Zezé Perella e manifestações de boca de urna, formam um cenário triste. Pedro Lourenço, patrocinador, foi ovacionado. Ficou claro, sonham com o dinheiro dele para diminuir a sangria. Terá força política no clube e o talão de cheques na mão.


Sergio Santos Rodrigues fará parte do comando do clube antes da posse e o discurso não foi feliz. Sobre as dívidas urgentes junto à FIFA, aponta o Cruzeiro como vítima de um escândalo para pedir paciência aos credores e a torcida. Vítimas foram os credores, os funcionários, os associados, os jogadores e todos aqueles que sofreram os efeitos dos crimes cometidos pelo dentro do clube. Pelo gigantismo do Cruzeiro, a obrigação é corrigir os erros e não se fazer de vítima. Portanto, mãos à obra senhor presidente.


A austeridade prometida em campanha pelo novo presidente é a única solução. Colaborar com o Ministério Público e Polícia para esclarecer o tamanho do buraco, outra obrigação. Pagar salários atrasados, dois meses, o mínimo imediato. Quitar a dívida com o Zorya da Ucrânia e evitar perder mais seis pontos via FIFA, outra atitude imediata. Hoje, o Cruzeiro não pode sonhar com festa de centenário ou acesso à divisão de elite no Brasileiro. O pesadelo é maior e a missão é mesmo quase impossível.


Que o Cruzeiro encontre no hino, “tão combatido e jamais vencido”, a grandeza que representa para sair desse lamaçal. Existe no próprio clube histórico de superação e competência. Tomara que prevaleça a grandeza do clube e seus ideais, mesmo num momento tão crítico. O clube não vai sair do buraco nos seis meses de mandato do novo presidente. Porém, pode ser o início de uma reação. A missão é impossível, mas a grandeza do Cruzeiro não tem limites.