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A Liga de futebol alemão (Bundesliga) tem seu campeão antecipado na temporada. Nenhuma novidade, pela décima vez consecutiva o Bayern de Munique ficou com a Salva de Prata, o troféu da competição. Ninguém pode tirar os méritos do time bávaro, faz tempo que o Bayern Munique é o grande representante do futebol alemão. Afinal de contas, na Liga dos Campeões da Europa, são seis títulos e 5 vices. Onze finais contra duas de Borussia Dortmund e Hamburgo, seus mais próximos representantes da Alemanha.


O Bayern Munique é o time a ser batido na Alemanha e tem um abismo separando os demais clubes. Essa é a realidade implacável. Dependendo do ponto de vista, também um enorme problema. Depois de uma década sendo campeão, na maioria das vezes de forma antecipada, o Bayern Munique é o protagonista da competição e os demais brigam como coadjuvantes. Acabou a graça. Numa analogia, é como comer salsicha no almoço e no jantar por muito tempo, enjoa. A comida perde a graça.


A Bundesliga que já teve fama de ser a competição europeia de maior publico nos estádios e ter regras financeiras mais duras da Europa, ainda não sentiu o impacto da hegemonia do Bayern Munique. Teve uma pandemia para impedir uma comparação direita e ver queda ou não de público. Porém, a falta de competitividade vai acabar tirando o interesse pela competição. Ficou chato acompanhar a briga pelo título. Na última vez que teve uma graça, três anos, o Bayern Munique ganhou por dois pontos do Borussia Dortmund. O campeão ficou conhecido na última rodada.


Não se trata de reprimir a competência do Bayern Munique. O time bávaro tem méritos inquestionáveis e merece aplauso. O problema é salvar a competição do domínio bávaro. Diminuir o abismo entre as equipes para preservar o interesse. Aumentar o limite de cinco estrangeiros por jogo, pode ser um caminho. Rever a distribuição de dinheiro dos contratos de transmissão, seria outra ajuda. Hoje, valem as cinco últimas temporadas como critério de divisão e o Bayern ganha sempre muito mais em relação aos concorrentes.


Encontrar uma solução, sem prejudicar o competente Bayern de Munique, será um exercício trabalhoso. Porém, algo precisa ser feito. Hoje os grandes astros da competição, Lewandowski do Bayern e Haalland do Dortmund, podem deixar seus clubes e mudar de ares na Europa. Soma-se a previsibilidade da competição, a coisa pode complicar. Mais do mesmo, cansa até o apaixonado torcedor bávaro.