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LUXEMBURGO E FELIPÃO


O Cruzeiro resolveu repetir a “estratégia” para comandar o time num momento delicado. Vanderlei Luxemburgo ( Foto – Bruno Haddad/Cruzeiro ) assume o Cruzeiro na mesma situação que Felipão viveu na temporada passada. Time flertando com a série C e com jogos para fazer o milagre de voltar à divisão de elite. Não é só o cenário esportivo parecido. Fora de campo faltam recursos, a crise política existe e a salvação está mais nas promessas de redenção do que na solução dos intermináveis problemas.


Acompanhei a coletiva de apresentação de Luxemburgo. Por mais que ele queira ser otimista e não aceite o termo desafio, alguns números são interessantes para entender o projeto. Felipão chegou ao clube na mesma situação, flerte com a série C, na época 19º lugar. Conseguiu 49 pontos, na verdade 55, com seis pontos tomados como punição. Depois de três meses, deixou o Cruzeiro na 11ª posição, com salários atrasados, até acionou a Justiça e com divergências com a direção do clube. Superar o trabalho de Felipão já será um desafio e dos grandes.


A missão que Luxemburgo assumiu só não é impossível porque a matemática não sente o cheiro de grama ou vestiário, figuras de linguagem do novo treinador na coletiva. Nas últimas quatro temporadas da Série B foi preciso fazer pelo menos 61 pontos, em média, para subir. Para atingir a meta, o Cruzeiro precisaria de 48 pontos ou 16 vitorias em 23 jogos. Dá 69 % dos pontos disputados, mais do que o percentual de aproveitamento dos quatro últimos campeões da Série B. Como disse o próprio Luxemburgo: “tem que ter colhão para aceitar a oportunidade de trabalho”.


Luxemburgo afirmou na coletiva que a Série B é mais física do que técnica. Não deixa de ser uma verdade. Porém, a receita imediata é “tirar a bola com a bunda, a bola não pode entrar no gol”. O problema maior é o gol contra. A “promessa negociada” sobre salários de elenco e funcionários para o trabalho funcionar. Não deu certo com Felipão e nada indica que com Luxemburgo será diferente. Era melhor não deixar a bunda exposta. O risco de esfolar o bumbum é grande. A cada dia a vida financeira do Cruzeiro sofre um revés. O último foi o caso Dedé e a cobrança de uma multa de 330 milhões de reais por rescisão de contrato, impagável.


Luxemburgo nem precisa lembrar da conquista da triplice coroa para provar sua competência. Nem Felipão precisaria lembrar do título mundial com a seleção. Ambos são excelentes treinadores que aceitaram o desafio ou oportunidade de trabalho no Cruzeiro. É triste ver o Cruzeiro no atual cenário. Desejo sorte para Luxemburgo como desejei para Felipão. No entanto, não posso deixar de alertar. Parece mais uma estratégia do que um sinal de mudanças no clube. Que eu esteja errado !!!!