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LEÕES DESDENTADOS E ZEBRAS ASSUSTADORAS


Os Campeonatos Estaduais perderam o glamour. Os Campeonato Nacionais rendem mais dinheiro, prestígio, tomam a maior parte do calendário e levam as equipes para competições internacionais. Sinal dos tempos. No entanto, fazer feio num Estadual leva a crise, muitas vezes demissões e irritação da torcida. Para piorar, a temporada está tomada por “zebras”. Médios e pequenos times surpreendem e transformam os Estaduais numa competição assustadora.


Como toda regra tem exceções, o Carioca mantém a tradição com um prestigiado Fla X Flu na decisão. Nos outros grandes Estaduais pelo país, um criadouro de “zebras”. O Campeonato Paulista, o mais importante financeiramente do país, terá na final contra o Palmeiras, o Água Santa. Time da cidade de Diadema, fundado na década de 80 e que ao longo de sua curta história, NUNCA venceu qualquer tipo de competição, nem o campeonato da cidade. Só venceu mesmo na várzea.


Não é uma simples questão de meritocracia. O Água Santa foi a quarta melhor equipe da fase de classificação e chegou na final nos pênaltis contra São Paulo e Bragantino. Tudo dentro do regulamento e sem demérito. Já o São Bernardo, outro pequeno, foi a segunda melhor equipe da competição e ficou pelo caminho. O que preocupa, o time de Diadema, nem tem sequer calendário. Não é para demonizar o time. Porém, a chegada da equipe na final deve ser pensada.


Fosse o Água Santa um fenômeno esportivo, sugiro que mudem o nome do time para Água Benta. Quando uma equipe com esse perfil chega tão longe, o problema não está no milagre, mas na incompetência de quem ficou pelo caminho. Na Bahia acontece pior. O Vitória não chega na fase decisiva da competição faz tanto tempo que deveria mudar o nome para Vexame. Lá, o finalista ao lado do Bahia é a Jacuipense. Já arrancou um empate no primeiro jogo da final e foi vice em 2022.


O pau quebrou no Campeonato Gaúcho com o Caxias implodindo o Internacional no Beira-Rio nos pênaltis. Campeão em 2000, o time do interior fará a final com o Grêmio. Detalhe, três jogadores pertencem ao Grêmio e na final será prejudicado. No Paraná, o Cascavel, campeão em 1980, vai pegar o Furacão. Em Minas, não podemos chamar o América de zebra, tem 16 títulos estaduais e conquistas nas séries B e C do Brasileiro. O diagnostico mineiro é mais claro. O pão de queijo do Cruzeiro que está assando faz tempo e queimou mais uma vez.


O número de “zebras” numa competição outrora importante e que virou pré-temporada no futebol, preocupa. Não é defender a elite e não considerar méritos nos pequenos. Quando as “zebras” assumem o papel de protagonistas em vários lugares ao mesmo tempo, tem algo muito errado com os leões. Os Estaduais estão deixando claro que existe um desequilíbrio ecológico no futebol. Leões desdentados estão perdendo para zebras assustadoras.

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