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IMPERADOR DO FURACÃO


Mario Celso Petraglia ( Foto - @AthleticoPR/JoséTramontin ), presidente do Athlético PR, resolveu expandir o seu domínio no futebol. Não basta ao dirigente ser o galo do seu galinheiro, ele quer holofotes. A seu favor, tem o histórico de uma virada no clube. O Athlético cresceu na sua gestão, tornou-se um clube moderno, alcançou sucesso desportivo e sua maior obra, a construção de uma moderna Arena e a visibilidade nacional que o clube não tinha. Portanto, independente dos seus métodos, alcançou êxito.


Autocrata é o governante que exerce o poder de forma absoluta e independente. Petraglia tornou-se Imperador do Furacão, seu poder no clube é tão grande que para muitos, é o dono do Athlético Paranaense. Seu perfil é bem parecido com o falecido Eurico Miranda, ex-dirigente do Vasco da Gama. Sua palavra é uma ordem, seus acertos um amor gigante pelo clube e seus erros, falsidades atribuídas por opositores desleais. Sua arma predileta para exercer o poder, o marketing. Mudou tudo no clube, menos as cores, novo escudo, nova imagem, novo estádio e dessa forma deixou sua marca imortal de Imperador Imortal.


Na sua fúria por poder fora do clube, Petraglia passou a investir contra direitos de televisionamento. Defendeu o direito do mandante para implodir as negociações em conjunto dos clubes e supervalorizar a sua posição. Até criou plano, muito mais caro de transmissão para o seu torcedor. Para o autocrata Petralia não existem meritocracia, história e tamanho no mercado. Os ovos da sua galinha são de ouro e para obtê-los, seja torcedor ou o que for, deve pagar alto por isso. Ele usa esse discurso para ampliar simpatias entre o baixo clero do futebol.


Para obter sucesso e virar líder entre os menos favorecidos, o alvo é bombardear os clubes maiores e qualquer tentativa de acordos, um exemplo a Liga do Futebol Brasileiro. Um bom exemplo do seu método marqueteiro, suas declarações destrambelhadas na contratação de Fernandinho. Petraglia resolveu partir para o ataque. Menosprezou o histórico e os méritos dos rivais chamados de grandes e, lógico, apresentou-se como uma solução moderna para o futebol brasileiro. Para o dirigente em carta, o ‘Tempo Não Para’, tudo se renova, menos no seu quintal.


Ele chama o passado, as conquistas e a evolução dos rivais de busca de manutenção e permanência no poder. O que não foi obra de Petraglia é chamado museu de grandes novidades. Seus desaforos contra o Santos foram culpa de uma pergunta infeliz. Meritocracia não é sinônimo de insanidade financeira ou proselitismo. Esses adjetivos são mais adequados para dirigentes obscuros que tentam manter-se no poder à custa do patrimônio financeiro, físico e cultural dos clubes.


A grande verdade é que Mario Celso Petraglia, o Imperador do Furacão, está plantando sua REVOLUÇÂO. É uma rebeldia para remexer nos ratos do fundo da piscina. Ele quer ser o líder, o exemplo a ser seguido, o gestor. Atacar os problemas financeiros dos outros é o caminho marqueteiro de se apontar como solução.


Não passa pela sua cabeça que Pelé não é só a página principal das glórias do Santos, também é a mais importante página do futebol brasileiro. O Santos não é só Pelé. O fato de Pelé não jogar mais é um fato a ser lamentado eternamente. O que deveria ser ressaltado é que ditadores e autocratas também passam. Pelé fez a piscina, os dirigentes encheram de ratos. Uma diferença enorme.


Antes de impor a sua grandeza é preciso construir a história. Não dá para seguir um delirante dirigente que por mais que tenha feito algo certo e louvável, se ache melhor do que os outros. Para ser grande é preciso de Pelés, não de Petraglias. São pesos e medidas diferentes. Seria melhor que Petraglia guardasse seus delírios de grandeza para seus ratos. Liderar não é impor e menosprezar/ofender os adversários. Isso é recurso de ditadores e tiranos. Esses não deixam marcas de glorias, a história trata de colocá-los no seu devido lugar.