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Hamilton é "apenas um intruso genial" na branca Fórmula 1

Hamilton é um "apenas um intruso genial" na branca Fórmula 1. O Futebol em Rede, que hospeda esse Blog, na verdade devia ser somente futeboleiro, mas abro hoje um espaço para o automobilismo. Mais especificamente para um dos maiores pilotos de todos os tempos, o inglês Lewis Hamilton. Gosto de Corridas, mas não sou profundo conhecedor como Cláudio Carsughi, Flávio Gomes, Felipe Mota, Nílson César, Sérgio Louzão, Everaldo Marques, Reginaldo Leme, Galvão Bueno, Téo José e tantos outros.



Hamilton tem tido postura politicamente forte nos últimos Grandes Prêmios. Se engajou na luta pelos direitos e pela vida dos negros principalmente após o assassinato de George Floyd pela Polícia Americana. Espera que todos apoiem seus protestos, mas a Branca Fórmula 1 é reticente. Aqui também em nosso país muita gente protesta para ser politicamente correto, mas a distância, não se mistura. É o famoso feito para não fazer.



Não precisávamos de Floyd para nos levantar, temos mortes todos os dias mal explicadas nas favelas do Brasil. Talvez você, Hamilton, não saiba, mas favela é o nome antigo das atuais Comunidades. É que aqui no Brasil a gente não resolve o problema, a gente muda o nome do problema. É o jeito Brasil de arrumar as coisas. É mais confortável para as autoridades, menos para quem está no olho do furacão, é claro.



Hamilton, o seu gesto de se ajoelhar perante a injustiça e o punho direito erguido após a primeira vitória lembrando atletas negros corajosos do passado, são símbolos importantes, mas só lembram que a luta continua. É só olhar ao seu redor e contar. Quantos negros como você trabalham na Fórmula 1? Não é pilotar na Fórmula 1, é apenas trabalhar, ok?



Por isso que você é um "intruso genial". Para chegar onde você chegou é preciso ter mais do que talento, é preciso ser gênio. Se fosse apenas talentoso perderia para qualquer branquinho que acelerasse um pouco mais. Você tem que ser melhor que eles. A vida para os negros tem sido assim há séculos. Se for só bom igual ao branco fica para trás, é extirpado imediatamente. É a dura realidade de um Mundo feito pelos Brancos para os Brancos. É claro que há milhões de brancos que não dividem o Mundo pela cor da pele, mas esses parece que ainda não conseguiram convencer os demais de que o que importa é o ser humano com sangue vermelho.



A seu favor, Hamilton, tem o seu talento e sua fama nesse momento. O que fizer ou falar pode ecoar em muitos ouvidos e motivar as pessoas a pedirem mais justiça e igualdade para todos. É uma nobre missão, mas tem consequência. Tenha certeza que muitos que se ajoelharam ao seu lado não pensam como você. No primeiro problema fugirão das trincheiras.



O negros tem uma linda história de resistência nesse Mundo. Histórias inspiradoras de lutas dos séculos, mas a discriminação continua velada ou abertamente posta. No esporte e na musica há figuras geniais e por isso estão lá, porque têm que ser bem acima da média, caso contrário não chegam. Mas como são funções praticamente individuais, o talento se sobressai e mesmo assim não é tão reconhecido por quem devia reconhecer.



Não se esqueça que Jesse Owens, um dos maiores atletas de todos os tempos, ganhou 4 medalhas de ouro para os Estados Unidos, derrotando a proposta de vida ariana de Hitler, em Berlim, em 1936, e quando ia receber homenagem pela brilhante conquista foi obrigado a entrar pelas portas do fundo do Hotel. Isso porque era negro e neto de escravos. A frase de Owens entrou para a história: "Não foi Hitler que me ignorou, quem o fez foi Franklin Delano Roosevelt que nem sequer me mandou um telegrama". Roosevelt era o presidente americano na ocasião.



Ah, mas agora as coisas mudaram. Mudaram mesmo? Aqui no Brasil é só olhar para a politica, economia, empresas e empregos e ver que não foi tanto assim. A injustiça também campeia. Ah, Quartarollo, você está exagerando. Estou? Será que um dia teremos um Presidente Negro como um Obama, por exemplo? O único presidente negro que tivemos foi num livro de Monteiro Lobato, "O Presidente Negro", do início do século passado, que é considerado extremamente racista. Ou seja, nós somos racistas até na ficção.



Boa sorte, Hamilton, o caminho é difícil. Continue acelerando. Cuidado com os adversários "bonzinhos". Está cheio de Kid Vigarista por aí.