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GAIATO NO NAVIO


A esperada demissão de Jesualdo Ferreira ( Foto – Divulgação ), treinador português do Santos, lembra a letra da música Melo do Marinheiro do Paralamas do Sucesso. Veterano técnico, 74 anos, recebeu água e sabão para limpar o convés da embarcação. Pensou que era moleza, mas foi pura ilusão. O Santos que era grande, hoje não tem nenhum tostão. Contratou ele de técnico sem qualquer convicção. Entrou pelo cano. Ficou por quinze jogos e foi pura decepção. Entrou pelo cano.


Ficou muito evidente que os dirigentes do Santos apostaram em Jesualdo inspirados no Flamengo. A lógica, português deu certo lá, dará certo cá e vamos surfar na onda. Foi a solução para o trauma da saída de Sampaoli. O técnico argentino fez milagre ao levar o Santos ao segundo lugar no Brasileiro e terminar sua passagem pela Vila Belmiro com goleada diante do campeão. Repetir o feito com o time se desfazendo, missão impossível. Sampaoli foi para outra freguesia e o Santos caiu no conto do português.


Jesualdo, simpático, não ganha nada em Portugal há uma década. Teve certo brilho no Egito e no Catar. Estava esquecido na Europa. Foi resgatado para fazer milagre, não era Jesus e todos entraram pelo cano. Sem elenco, sem dinheiro, no meio de uma pandemia e sem poder contratar, Jesualdo teve no Santos seu pior desempenho dos últimos tempos. Só não foi pior do que no Málaga quando obteve duas vitorias em dez jogos e foi parar na Grécia.


O treinador não foi o maior culpado. Pensou mesmo que era moleza e foi pura ilusão. Encontrou um Santos distante do seu brilhantismo histórico e com o convés enferrujado. Montou o time com o que tinha e com as ideias consagradas no Egito e no Catar. Nem teve tempo para entender direito onde estava. Entrou pelo cano como o criativo idealizador de sua contratação. Santos e Jesualdo, lembrando mais uma vez Os Paralamas do Sucesso, entraram de gaiato no navio. Ficou descascando a batata quente que um iluminado colocou em suas mãos. Para ser justo, os dois lados merecem o coro que finaliza a estrofe principal da música, burro!!