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Futebol brasileiro está salvo. Chegou a lei do mandante

O Senado aprovou a Lei do Mandante, que agora vai para sanção presidencial. Não acredito que o presidente vete. Afinal, na sua cabeça é uma Lei que prejudica os negócios da Rede Globo e ele detesta a Globo. Os contratos atuais estão mantidos, mas estão para vencer em pouco tempo. A nova lei diz que o mandante pode negociar a transmissão do seu jogo como bem quiser, ou quem quiser, sem levar em consideração o contrato de transmissão do clube visitante.



Pode ser apenas uma fantasia porque se a Globo, a Record, o SBT ou qualquer outro sistema de transmissão assinar com os 20 clubes da Série A, por exemplo, vai continuar tudo como está. Todos os jogos serão de um contrato só. Se houver dissidência de um contrato dito "coletivo" haverá essa situação, mas acredito que a maioria prefere fechar em bloco para ter mais força de negociação.



Os clubes que reivindicam negociação individual são justamente aqueles que acham que ganharão mais por terem uma torcida maior, casos de Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro, Palmeiras, para citar alguns, sem falar nos eixos regionais como Rio Grande do Sul, Paraná e Nordeste que têm situações iguais guardadas as devidas proporções.O Bahia, por exemplo, pode vender seu jogo separadamente, mas seria conveniente? É preciso pensar em tudo isso. O Athletico Paranaense já faz isso e não se sabe ainda se deu certo. É um caminho, mas ainda há muito para se pesar.



A verdade é que eu já vi desde a década de 70 muitos projetos e processos salvadores do futebol brasileiro que foram minguando com o tempo e por isso existe uma fileira de clubes em estado falimentar. Não que o futebol não dê dinheiro, estão aí os ricos empresários com seus "sócios ocultos" com muito dinheiro no bolso que não me deixam mentir. Quem fica endividado é o clube.



Lembro quando começaram a dizer que as placas estáticas iam salvar os clubes. Depois das placas veio o placar Eletrônico, que depois virou Digital. E nada de salvar nada. Daí se anunciava que com o patrocínio nas camisas os clubes sairiam do atoleiro. Mas para isso era preciso ter visibilidade. A televisão era o caminho, como foi em todo mundo. Ah, agora com os contratos da TV os clubes vão ganhar muito dinheiro. Inventaram o Clube dos 13, que só valia pelo nome porque tinha mais de 13 entre fundadores e simpatizantes. Até que o Clube dos 13 implodiu porque os clubes com mais torcidas se achavam prejudicados por terem cotas parecidas com os de menor torcida. Virou meio que cada um por si de novo correndo atrás das contas.



Teve loteria, teve bingo, teve abertura de mercado, teve Cláusula de Solidariedade, teve mudança de lei do passe, teve parceria com instituições financeiras, com conglomerados de super-mercados, com tudo que você possa imaginar e o futebol brasileiro continua esperando o "Messias Econômico" do seu salvamento.



Agora é a Lei do Mandante, que pelo que conheço do futebol brasileiro estará obsoleta em pouco tempo. Parece maldição, mas não é. É incompetência e ma fé mesmo. Todos sabem que clube não vai à falência no Brasil, principalmente clube de grande torcida. Então fica fácil para ir rolando e se enrolando em dívidas presentes e futuras sem pagar as do passado. Seria bom ter melhor administração e com isso melhor organização, mas acho difícil mudar. Eles não querem. Quanto mais enrolado melhor.


É o que penso.