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Fase do fuzilamento no Paulista


O Campeonato Paulista entra na fase decisiva após a paralisação da pandemia. Nenhuma surpresa. Os quatro gigantes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) estão vivos e como brinde, os tradicionais ( Ponte Preta, Santo André e Bragantino ) entram na disputa. A contribuição em nome da emoção da competição é substituir de vez o “mata-mata” perlo fuzilamento até apontar os dois finalistas da temporada. Os Estaduais, faz tempo, abandonaram a meritocracia para apontar seus campeões.


Muitos adoram o “mata-mata”, jogos de ida e volta, onde um clube pode eliminar o adversário, mesmo que não seja melhor ao longo da disputa. Basta estar “ligado” nos jogos decisivos. Dizem que dá mais emoção. Respeito quem quer adrenalina, mas acho injusto. Mesmo com a promessa de adrenalina, a tendência é o melhor passar em dois jogos e a possibilidade de dar uma “zebra” conta com sorte e estratégia. Sempre, o primeiro duelo dá respiro para o mais fraco e passa quem for estrategista e não, necessariamente, o melhor.


Já o fuzilamento deveria ser um orgasmo para quem defende a adrenalina. Tudo passa por uma bola. Um único jogo entre o melhor com o mais fraco e que o destino faça a sua parte. O mais fraco já conhece o caminho. Entrar em campo para arrastar o jogo, trancar todas as portas para o adversário e apostar num vacilo para passar de fase. Na Copa do Brasil também existe a fase de fuzilamento com o atenuante do empate salvar o time mais forte em caso de desespero. Não deixa de ter certa graça. Prefiro o fuzilamento com empate, do que o “mata-mata”.


Os “adrenalínicos” que me perdoem, mas essas fórmulas transformam campeonatos em torneios. Tiram a meritocracia de campo. Não basta ser o melhor e o mais competente. Tem que evitar o azar. É como colocar Tyson num ringue com um frágil lutador e decidir quem vence jogando dados. Para piorar, há quem defenda play-off como no basquete americano. Três, cinco ou até sete jogos entre dois concorrentes para definir quem vive. Isso só dificulta a chance do azar. Um time superior só perder tempo. Numa disputa mais equilibrada, entre dois times de competência parecida, só estica a dor de quem fica fora.


Lógico que o ideal, o fundamento do esporte, aponta para o caminho da meritocracia. Todos contra todos, ida e volta, e que o melhor mostre em campo porque merece a taça. Dá emprego a todos os envolvidos, dificulta lançamento de dados como critério de sobrevivência e valoriza trabalho de quem tem mérito. Copas, torneios e, agora, estaduais, são e sempre serão competições de tiro curto. Tem valor, certa graça, mas a principal característica é falta de tempo para fazer a coisa justa.