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FALTA RECONHECIMENTO


A Conmebol fez várias tentativas para criar uma competição inspirada na Copa da UEFA, atual Liga da Europa. Uma boa ideia, mas como sempre, cercada de polêmicas e má administrada. As frustradas tentativas Copa Mercosul e Conmebol não ajudaram muito. Para piorar vieram escândalos na entidade e fuga de patrocinadores. Do caos surgiu a Copa Sul-Americana em 2002 ( Foto ilustrativa/verdes-mares.com.br ), sem os clubes brasileiros que boicotaram a competição em nome de um calendário lotado.


Tudo isso contribuiu para um reconhecimento tardio da competição, que de boa ideia, tornou-se uma segunda divisão da Libertadores para os brasileiros. Uma visão deturpada, só ultrapassada quando o dinheiro fez os olhos dos clubes brilharem. A Copa Sul-Americana aos poucos despertou interesse, pela possibilidade de clubes com pouca oportunidade, se internacionalizarem. Uma vaga garantida na prestigiada Libertadores foi a cereja do bolo para os grandes clubes. O Brasil só conseguiu o primeiro título com o Internacional de Tite, seis anos após o início da competição.


Ao longo do percurso as regras de classificação mudaram. Hoje virou uma cópia da Libertadores com chave de grupos e até vagas aos eliminados da Libertadores, como é usual na Liga da Europa. Final única. Tudo ficou mais interessante com dinheiro entrando nos cofres dos participantes. Porém, a parte técnica já estava alta. Rivais brasileiros como Boca Juniors e Independiente ( duas vezes ), River Plate, LDU e San Lorenzo, conquistaram o troféu e deram prestigio técnico para o torneio e rivalidade. Pronto o sarrafo estava no alto.


Dois inconvenientes prejudicaram ainda mais o interesse brasileiro. A final com o São Paulo, campeão em 2012, com fuga do adversário e jogo inacabado e o desastre da Chapecoense. A tragédia do avião da Chapecoense levou vidas e sempre será uma marca triste do esporte. Por outro lado, foi na tragédia que o Atlético Nacional de Medellin deu ao mundo um exemplo profundo de esportividade. Não só abriu mão do título, como fez uma homenagem espetacular ao irmão brasileiro. Estádio lotado no dia do jogo e uma prova de solidariedade para o mundo.


Do acidente pra cá, o Athlético Paranaense ganhou duas vezes a Copa Sul-Americana (2018/2021). Igualou a marca de potencias como Boca Juniors e Independiente. A rivalidade entre Brasil e Argentina ainda está desequilibrada. Os argentinos possuem 9 conquistas contra cinco dos brasileiros. O preconceito de competição de segunda linha só vai acabar no Brasil com grandes clubes tendo orgulho da taça. É hora de pensar sério no assunto.


O Athlético Paranaense embolsou 37 milhões de reais com o título. O Bragantino, 27 milhões. Imaginem Cruzeiro ou Botafogo vendo cair a grana no cofre. Sem contar prestígio, vaga na Libertadores e valorização do elenco. Chega de preconceito. A Copa Sul-Americana merece volta olímpica e corro de bombeiros. Não só pelo dinheiro. Duvido que um torcedor de clube europeu despreze um título da Liga Europa. Vale muito para time grande e para time de qualquer estatura do planeta.