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FACADA NO PEITO


Porto Alegre/RS, 2 de dezembro de 2007. O Corinthians empata com o Grêmio/RS por 1 a 1 e, com este resultado, é rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro. Desde então, além do título da Segundona do Brasileirão do ano seguinte, o Timão faturou outras 13 taças significativas, sendo cinco Paulistões (2009, 2013, 2017, 2018 e 2019), três Brasileirões (2011, 2015 e 2017), uma Copa do Brasil (2009), uma Libertadores (2012), uma Recopa Sul-Americana (2013) e dois Mundiais Interclubes (2000 e 2012).

Volta Redonda, 18 de novembro de 2012. O Palmeiras empata com o Flamengo/RJ por 1 a 1 e, com este resultado, é rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro. Desde então, além do título da Segunda do Brasileirão do ano seguinte, o Verdão faturou outras 7 taças relevantes, sendo um Paulistão (2020), dois Brasileirões (2016 e 2018), duas Copas do Brasil (2015 e 2020) e duas Libertadores (2020 e 2021), além de ter sido vice-campeão mundial de 2022 e estar na decisão da Recopa Sul-Americana deste ano.

Os dois parágrafos acima os escrevi na intenção de mostrar não somente a corintianos e palmeirenses, mas sim a todos os torcedores, que o futebol é cíclico. Quem estuda a história deste esporte percebe, logo em seus primeiros capítulos, que quando uma grande equipe vai bem por algum tempo, outras não vão tão bem assim e outras se saem muito mal, até. E, pouco depois, tudo se inverte, e quem estava mal começa a ir bem, e quem estava nadando de braçadas passa a se segurar como pode para não se afogar – e nem sempre consegue.

Por isso, é inadmissível o que vimos nesta última semana em nosso País. As agressões sofridas por jogadores de Bahia/BA, Internacional/RS, Cascavel/PR e Paraná Clube/PR por parte de seus torcedores ou que partiram de simpatizantes rivais foram criminosas, e como tais devem ser encaradas. Todos os gestos de violência foram filmados, pela Imprensa ou por câmeras de segurança, e por isso não é muito difícil identificar quais foram os marginais que os praticaram. Só precisa querer.

Só não que basta apenas prender estes delinquentes. É preciso que todos sejam julgados, condenados e que mofem um tempo na cadeia, ao lado de bandidos ainda mais perigosos do que eles próprios. É preciso que sintam na pele o quanto uma imbecilidade pode lhes ser prejudicial, assim como foram aos jogadores que eles agrediram, alguns até com certa gravidade. É preciso, por fim, que nossa Justiça – que é lenta, incompetente, parcial e falha – reflita o quanto vem prejudicando o Brasil, tanto dentro quanto fora de campo, ao deixar impunes estes tais pseudotorcedores.

Quando fatos como os da semana passada acontecem, quem ama o futebol leva uma facada no peito. E o meu já está ferido demais.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br