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Fórmula 1: A última volta do campeão

Enquanto um desolado Lewis Hamilton pensa na vida pela derrota na volta final do GP de Abu Dhabi e até deixa no ar uma dúvida se estará na pista, em 2022, o que eu lamentaria se ocorresse, mas acho que não vai acontecer, eu lamento a saída de pilotos que foram marcantes e mesmo quando não disputavam mais as primeiras posições tinham minha torcida.



Estou falando de Kimi Räikkönen, aqui para nós brasileiros sem tremas mesmo, apenas Raikkonen, que deu sua última volta, em Abu Dhabi. Depois que deixou a Ferrari passou a ser mais um figurante com a Alfa Romeo, mas quando marcava um pontinho ficando entre os 10 primeiros tinha minha simpatia. Dizem, aliás, que nunca foi um simpático de carteirinha. Com sua frieza finlandesa era o típico mal humorado engraçado que todos gostavam. Por isso também o apelido de "Homem de Gelo". Por isso e também por sua tranquilidade para pilotar em momentos difíceis.



Vettel talvez tenha resumido bem a sua aposentadoria aos 42 anos de idade quando disse: "Vou sentir falta do silêncio de Raikkonen". É por aí. Ele tinha algumas frases antológicas também. No último ano de Ferrari, houve uma prova que o seu carro andava bem e do companheiro nem tanto, quando quiseram saber a diferença de rendimento, foi ao ponto: "Eu não posso pilotar dois carros de uma vez só. Só guio o meu". Precisa ser mais direto?



O campeão de 2007, com a Ferrari, o que o coloca num pedestal importante da Fórmula 1, diz agora que quer distância das pistas, mas talvez só continue a ser como sempre foi. Um ermitão que se vestia de piloto em alguns fins de semana para depois voltar para sua reclusão. Um profissional na acepção do termo sem expor a vida pessoal. Chegava, trabalhava, treinava, corria e voltava para os seus. É o seu jeito de viver.



Talvez o torcedor seja isso. Alguns caras marcam para sempre e mesmo quando não estão mais no primeiro escalão ainda tem a nossa torcida. Vettel, que foi citado também nesse texto, é outro que merece essa observação. Com certeza, nunca mais vai ganhar um Campeonato e possivelmente nem corridas, mas a cada pontinho é uma vitória particular, uma lembrança de que conhece muito do que faz e ajuda a equipe a ganhar um pouco mais de dinheiro, coisa que a Fórmula 1 adora. Mas mesmo sendo um esporte tão caro e tão capitalista, há espaço também para o lado humano ou até para a reclusão humana, não é Raikkonen?